Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes analisou o contrato de prestação de serviços que o escritório Barci de Moraes, da mulher do magistrado, Viviane, fez com o dono do Banco Master. O relatório das autoridades policiais foi encaminhado ao ministro da Corte André Mendonça, responsável pelo inquérito. Presidenciáveis se manifestaram sobre o caso durante o dia e chegaram a dizer que Moraes precisa ser afastado. Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, chamou Moraes de “advogado do Vorcaro”.
“É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro do Supremo (…). Se ele edita os contratos da esposa, que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o Procurador-Geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes. Então, são muitas acusações graves e que espero, de verdade, que ele esclareça”, disse Flávio no Senado após presidir uma sessão da Comissão de Segurança Pública.
Romeu Zema (Novo), por exemplo, disse que um processo de impeachment contra Moraes “é pouco. Ele merece cadeia”, disse o ex-governador de Minas Gerais. “Esse projetinho de ditador nunca me enganou. A PF acaba de demonstrar que o Min. Alexandre de Moraes editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa pra despachar processo. E tem mais: Moraes teria pedido proteção pro Vorcaro diretamente ao PGR e ao diretor da PF. É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, afirmou a íntegra da publicação de Zema.
Ronaldo Caiado (PSD) também se manifestou sobre o assunto e afirmou que o caso desqualifica o ministro para continuar em uma cargo na mais alta Corte do país. “Diante da quebra do sigilo do caso Master, fica claro que o ministro Alexandre de Moraes não tem a menor condição de continuar no Supremo Tribunal Federal. A sua vinculação de orientação a um bandido como este, que assaltou a população brasileira em bilhões de reais, a conivência vivida entre os dois, o desqualifica para a função de ministro do Supremo. Não dá mais para suportar esse nível de podridão que atinge não só o STF, mas outros poderes que compõem a República”, disse o ex-governador de Goiás.
Entre os presidenciáveis, Augusto Cury (Avante) defendeu o fim do cargo vitalício para ministros do STF. Em eventual governo, Cury também disse que não haverá blindagens. “Quem paga a conta da desconfiança é o cidadão comum, que é o pagador dos impostos”, disse. Até o momento, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão) não se manifestaram.
Outras manifestações
O deputado federal e candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul Marcel Van Hattem (Novo) afirmou ter protocolado novo pedido de impeachment de Moraes no Senado, Casa em que se inicia processos contra ministros da Corte. “Também pedirei na tribuna da Câmara (dos Deputad0s) que (o ministro) André Mendonça determine, com urgência, sua prisão preventiva. Chega de impunidade nesse país! Ninguém pode se achar intocável”, disse o parlamentar.
Candidato à reeleição no Senado por Minas Gerais, Carlos Vianna (PSD) disse que acionará o presidente da Casa. “Estou levando oficialmente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma representação sobre o contrato de 131 milhões de reais ligado ao Banco Master e os metadados revelados pelo Estadão, que registram um perfil denominado ‘Ministro Alexandre de Moraes’ entre os responsáveis por alterações no arquivo. Quero saber quem editou, o que foi alterado e por quê”, afirmou.
O vice-lider da oposição na Câmara dos Deputados, Ubiratan Sanderson (PL), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, protocolou nesta terça-feira (1º) representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que sejam apurados fatos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Em nota, além de confirmar a intervenção do magistrado, o escritório Barci de Moraes diz que não há nada de ilícito na conduta do ministro. Segundo a banca, ele teria apenas analisado a “existência de impedimentos legais para a contratação”, por conta do vínculo com o Supremo. O posicionamento também afirma que Moraes não tem nenhum caso do Master sob sua relatoria, nem mesmo na Turma da qual ele faz parte.
Trechos das investigações da Polícia Federal também mostram que Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes antes da sua prisão. O banqueiro teria perguntado a Mores se “Galípolo tá sabendo”, se conseguimos fazer algo” e “acha que segunda já tenho que estar fora?”. Essas mensagens teriam sido trocadas antes da primeira prisão de Vorcaro, no dia 17 de novembro do ano passado, uma segunda-feira de noite. Ele foi detido pela PF enquanto tentava embarcar em um jato particular rumo a Malta e depois para Dubai, nos Emirados Árabes. Ele estava tentando vender o Master.
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