A Polícia Federal pediu, em março deste ano, ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para acessar informações financeiras que envolvem Daniel Vorcaro e outras pessoas investigadas no caso Banco Master e autoridades com foro por prerrogativa de função. O pedido permaneceu sem decisão conhecida por cerca de seis meses. Segundo apuração divulgada nesta quinta-feira (24), os dados protegidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envolveriam cerca de 40 autoridades, entre ministros, parlamentares e integrantes do Executivo.
A PF havia solicitado ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) para rastrear possíveis movimentações ilícitas. O órgão, porém, entregou apenas parte das informações porque identificou transações envolvendo pessoas com foro e informou que precisaria de autorização do STF para compartilhar os dados integralmente. Em ofício enviado a Mendonça em 10 de março de 2026, os investigadores pediram que o ministro autorizasse o acesso ao conteúdo restante.
O processo só veio a público em setembro, depois de o presidente do STF, Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo de parte dos autos. A PGR afirmou que não havia sido informada sobre a existência do pedido e solicitou esclarecimentos sobre sua tramitação. Mendonça também não respondeu publicamente aos questionamentos feitos pelas reportagens sobre a ausência de decisão.
Entre os dados que já apareceram parcialmente nos documentos estão movimentações financeiras relacionadas à rede de Vorcaro e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. O RIF divulgado registra mais de R$ 57 milhões em movimentações entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, mas os trechos capazes de identificar autoridades com foro permanecem protegidos. A investigação ainda não permite concluir que todas as pessoas mencionadas tenham cometido irregularidades; os dados são parte de uma apuração em andamento.
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