O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo no qual mostra a construção de um futuro “centro de enforcamento” de palestinos condenados por crimes de terrorismo.
Nas imagens, o ministro aparece apontando para as fundações da estrutura e afirma que o local será usado para executar “terroristas”. A instalação, cuja localização não foi divulgada, estaria sendo construída nas proximidades de uma prisão.
Segundo Ben-Gvir, o complexo terá espaços para que familiares de vítimas acompanhem as execuções. “Prometi piorar as condições dos terroristas nas prisões — nós cumprimos. Prometi aprovar a lei da pena de morte para terroristas — nós fizemos. E agora o corredor da morte e a instalação de enforcamento também começam a tomar forma”, disse o ministro no vídeo.
A divulgação do vídeo ocorre em meio a uma série de críticas internacionais ao ministro, após ele defender, na semana passada, que Israel matasse “de 30 a 40” pessoas todas as noites na Faixa de Gaza.
“Acho que deveríamos realizar de 30 a 40 assassinatos seletivos por noite”, disse ele. “Não apenas daqueles que representam uma ameaça imediata. Há pessoas lá que não merecem viver… Elas nem sequer são gente”.
A construção do “centro de enforcamento” acontece meses depois de o Parlamento israelense, o Knesset, aprovar uma lei que estabelece a pena de morte para palestinos condenados pelo assassinato de judeus em atos de terrorismo. A construção foi aprovada por 62 votos a 48, com apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de Ben-Gvir.
A aplicação da pena, porém, não alcança da mesma maneira cidadãos judeus israelenses acusados de crimes semelhantes. A lei se aplica a assassinatos cometidos com a intenção de negar a existência do Estado de Israel, uma formulação que, na prática, restringe sua aplicação aos palestinos julgados. A legislação foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que a consideram discriminatória.
Em relatório recente, as Nações Unidas pediram medidas para prevenir atos de “genocídio” em Gaza e denunciaram sinais de limpeza étnica tanto naquele território palestino quanto na Cisjordânia ocupada. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, demandou que o governo israelense garanta “com efeito imediato que seu Exército não cometa atos de genocídio e que adote todas as medidas necessárias para prevenir e punir a incitação ao genocídio”.
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