A Epic Games, a criadora do Fortnite, um dos jogos online de maior sucesso do mundo, lançou nesta quinta-feira 30 a versão da Epic Games Store para aparelhos da Apple utilizados no Brasil. Assim, os donos de iPhone poderão, a partir de agora, adquirir os jogos da desenvolvedora pelo aplicativo, mas o que poderia parecer uma boa notícia veio recheada de críticas de Tim Sweeney, presidente da Epic Games, à Apple e ao governo de Donald Trump por, supostamente, dificultar o acesso ao mercado brasileiro.
Em um encontro virtual com jornalistas brasileiros, Sweeney acusou a Apple de agir deliberadamente para abalar as relações entre os governos Trump e Lula com o objetivo de dificultar que outras lojas de aplicativos concorram com a Apple Store. Sem papas na língua, o fundador da Epic Games afirmou que a empresa criada por Steve Jobs “está tentando destruir as boas relações entre os dois países [Brasil e Estados Unidos]”, a fim de “continuar violando a lei e cobrar taxas ilegais”.
O presidente da Epic Games acrescentou que a Apple estaria “violando as leis do Brasil” e que os aliados da empresa dentro do governo americano, “em especial no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês)”, estariam “constantemente ameaçando” a parceria entre o Brasil e os Estados Unidos.
A briga entre a dona do Fortnite e a Apple já se arrasta por tribunais americanos e de outros países há seis anos. A Epic Games acusa a rival de recorrer a diversos expedientes para prejudicar a concorrência. Entre eles, estão o número excessivo de passos para que usuários de dispositivos da Apple devem cumprir para instalar lojas de aplicativos. Nos países que integram a União Europeia, os donos de iPhone deveriam executar quinze procedimentos para instalar o Epic Games Store e outras lojas virtuais. Após uma forte pressão da empresa e dos órgãos reguladores do bloco econômico, a Apple reduziu essas etapas para seis. Segundo Sweeney, com isso, a taxa de desistência dos usuários caiu em 60%.
O empresário acrescenta que transações realizadas em dispositivos da Apple, mas fora que não passam pela Apple Store, pagam diversas taxas que considera ilegais e abusivas, tais como uma taxa de 21% sobre compras pagas por sistemas de terceiros; 15% sobre compras feitas na internet, mas cuja origem seja um dispositivo com o sistema operacional iOS; além de 5% sobre o faturamento de qualquer loja virtual instalada em seus aparelhos.
O lançamento da versão para iOS da Epic Games Store no Brasil já reflete o acordo fechado em dezembro de 2025 entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão antitruste brasileiro. O termo de compromisso de cessão (TCC) assinado pela big tech e homologado pelo tributal da autarquia determina que a Apple passe a permitir pagamentos e a instalação de lojas de aplicativos de terceiros em seus aparelhos. O acordo tem duração de três anos e as mudanças deveriam ser implementadas em até 105 dias.
Em nota à imprensa, a Apple lembrou o acordo celebrado com o Cade, declarou que as acusações de Sweeney são “falsas” e que acrescentou que “continuará trabalhando para apoiar os desenvolvedores brasileiros enquanto eles aproveitam essas novas opções”.
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