A inteligência artificial costuma ser tratada como um fenômeno etéreo, imaterial e puramente digital, mas a infraestrutura que a sustenta é pesada, física e faminta por recursos naturais. Um novo estudo focado em data centers de apenas sete estados americanos revelou uma estatística assustadora: manter essas instalações em funcionamento exige cerca de três trilhões e quatrocentos bilhões de galões de água doce todos os anos. Para se ter uma ideia do tamanho desse impacto, esse volume colossal supera toda a demanda urbana anual de água do estado da Califórnia.
O grande motor desse consumo exorbitante não é apenas a necessidade óbvia de resfriar os servidores que trabalham dia e noite para processar dados. Uma fatia gigantesca dessa pegada hídrica vem indiretamente das usinas termelétricas e energéticas responsáveis por gerar a eletricidade ininterrupta que mantém as máquinas ligadas 24 horas por dia. Com a expansão vertiginosa da inteligência artificial, essa demanda segue uma rota de colisão: mais servidores exigem mais eletricidade, que por sua vez exige mais refrigeração e, consequentemente, quantidades ainda maiores de água.
Para piorar o cenário, o levantamento apontou que muitas das usinas que alimentam essa rede estão localizadas justamente em regiões dos Estados Unidos que já enfrentam sérios problemas de estresse hídrico e escassez. No fim das contas, por mais invisível que a tecnologia pareça quando abrimos uma aba no navegador ou geramos uma imagem na tela, o mundo virtual depende de uma realidade muito tangível — marcada por prédios gigantescos, contas astronômicas de eletricidade e trilhões de galões de água sendo consumidos para manter o sistema de pé.
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.























