Um protótipo de centro de dados que utiliza neurônios humanos vivos foi apresentado em Singapura. O projeto reúne a Yong Loo Lin School of Medicine, da Universidade Nacional de Singapura, a operadora de infraestrutura DayOne e a Cortical Labs, empresa de computação biológica sediada em Melbourne.
A instalação fica no Life Sciences Institute da universidade e consiste em um conjunto de vinte unidades montadas em rack, no mesmo formato de um servidor convencional. A diferença está no conteúdo. Em vez de depender apenas de chips de silício, o sistema utiliza o que os pesquisadores chamam de wetware: neurônios biológicos vivos, obtidos a partir de células-tronco, que processam informação e dão suporte a sistemas de inteligência artificial.
Segundo as instituições envolvidas, trata-se do primeiro conjunto de servidores biologicamente integrado operado de forma independente no mundo, e o primeiro do tipo fora da Austrália. Uma demonstração fechada realizada em 6 de agosto reuniu mais de oitenta convidados dos setores privado e acadêmico, com exibição da atividade neural em tempo real.
A motivação declarada é o consumo de energia. Centros de dados convencionais dependem de servidores intensivos em eletricidade, e a proposta é que estruturas biológicas realizem parte do trabalho utilizando uma fração dessa energia. As células são cultivadas sob supervisão do professor de neurociência Rickie Patani.
Os usos apontados pelos responsáveis são específicos: descoberta de medicamentos, robótica humanoide, segurança digital e detecção de fraude. O argumento é que a computação biológica aprende a partir de muito menos dados e se adapta quando as condições mudam, o que a tornaria vantajosa nesses cenários.
O sistema é um protótipo em ambiente de pesquisa, não uma instalação comercial em operação. O comunicado não aborda as questões éticas envolvidas no uso de tecido nervoso humano cultivado como infraestrutura de computação.
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.






















