O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu neste sábado, 11, em uma série de publicações na rede social X, vingar a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, assassinado em um ataque dos Estados Unidos em 28 de fevereiro. “Comprometemo-nos a vingar seu sangue puro e o sangue de todos os mártires dessas duas guerras recentes, buscando vingança contra os assassinos criminosos e desonrados. Essa vingança é o que nossa nação exige, e ela certamente deve ser realizada”, escreveu.
“Os assassinos criminosos e desonrados do líder mártir, cujos nomes estão plenamente documentados, do mais alto ao mais baixo escalão, levarão para o túmulo o sonho de morrer pacificamente em uma cama”, escreveu.
We pledge to avenge your pure blood and the blood of all the martyrs of these two [recent] wars by taking revenge against the criminal, disgraceful murderers. This vengeance is what our nation is demanding, and this must definitely be done.
— Ayatollah Mojtaba Khamenei (@MKhamenei_ir) July 11, 2026
A declaração ocorre dois dias depois do enterro de Khamenei no mais sagrado santuário do Irã, Mashhad. Khamenei foi assassinado aos 86 anos durante bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel, que deram início à guerra.
O sepultamento na cidade natal de Khamenei reuniu grandes multidões e ocorreu após dias de celebrações fúnebres realizadas em todo o Irã e no vizinho Iraque, tratadas pelas autoridades como uma demonstração de força e unidade nacional. Os enlutados cantavam slogans exigindo vingança contra o presidente dos EUA, Donald Trump, por seu papel no assassinato.
A grandiosidade da cerimônia representa uma reviravolta extraordinária para um país que, há apenas sete meses, era tomado por protestos populares nos quais milhares de pessoas pediam o fim do regime dos aiatolás e, em reposta, foram mortas pelas forças de segurança do governo.
O grupo paramilitar do Iraque, Forças de Mobilização Popular (PMF), disse na quarta-feira que mais de 2,3 milhões de pessoas participaram da procissão fúnebre de Khamenei apenas em Najaf.
O novo líder supremo e filho do falecido antecessor, Mojtaba Khamenei, esteve ausente durante todos os dias de cerimônia. Ele não aparece em público desde o início da guerra, quando sofreu ferimentos graves no mesmo ataque que matou o pai.
A realização do funeral meses após a morte do aiatolá contraria a tradição islâmica, que recomenda o sepultamento em até 24 horas. O adiamento foi atribuído às condições de segurança no país durante o conflito, quando as autoridades avaliaram que um funeral público colocaria em risco autoridades políticas e militares, consideradas alvos dos Estados Unidos e de Israel.
Ameaça de Trump
Durante a madrugada, Trump ameaçou “dizimar e destruir completamente” o Irã caso o governo do país tente assassiná-lo. “Mil mísseis estão posicionados e prontos para serem lançados contra a República Islâmica do Irã, e milhares de outros poderão ser disparados imediatamente em seguida, caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, feita em diversas partes do mundo, de assassinar ou tentar assassinar o atual presidente dos Estados Unidos da América — neste caso, EU!”, escreveu Trump na sua rede, Truth Social.
“As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos Estados Unidos estão prontas, dispostas e capacitadas, por um período de um ano, sujeito a prorrogação, para dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã — LOUVADO SEJA ALÁ!”, finalizou.
Na quinta-feira, 9, o jornal americano The Wall Street Journal publicou uma reportagem que afirmava que a inteligência de Israel compartilhou com o governo dos Estados Unidos informações sobre um suposto plano do Irã para assassinar Trump.
Segundo a reportagem, o suposto plano iraniano estaria ligado à promessa de vingança feita por Teerã após a morte do general Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, morto em um ataque de drone ordenado por Trump em janeiro de 2020, durante seu primeiro mandato. Considerado terrorista pelos governos dos Estados Unidos e de Israel desde 2011, o general era um dos principais líderes militares do regime iraniano.
Washington já monitorava havia meses um fluxo constante de informações sobre possíveis ameaças contra Trump, mas o alerta enviado por Israel tratava de um complô considerado mais concreto. O WSJ não informou quando o suposto plano teria sido elaborado.
Tensão e negociações
A ameaça de Trump ocorre em meio a um impasse na guerra. Nesta semana, os EUA atacaram o Irã duas noites seguidas, depois de Trump dizer que o cessar-fogo entre os países, acordado em junho, “acabou”. As hostilidades foram suspensas neste sexta e diplomatas do Catar tentam mediar uma nova trégua.
Na sexta, Trump escreveu nas redes sociais que os Estados Unidos concordaram em continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que o cessar-fogo entre os dois países chegou ao fim.
Segundo a rede americana CNN, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, está em Omã para discutir o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz.
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