O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 29, atacar o Irã “com força”, após a Jordânia sofrer uma ofensiva com cinco mísseis contra bases americanas intaladas no país árabe.
“Vamos atacá-los com força. Eles vão levar uma surra”, declarou o ocupante do Salão Oval, segundo um correspondente da emissora Fox News. “Vamos acabar com a raça deles”, acrescentou ele.
Na madrugada desta quarta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica, força ideolíogica paralela ao Exército, disparou mísseis balísticos contra instalações militares dos Estados Unidos na Jordânia. O Comando Central (Centcom), unidade militar americana no Oriente Médio, confirmou ter interceptado um “ataque surpresa” contra suas forças na região.
As forças da Jordânia informaram que os mísseis foram “interceptados e destruídos”. A agência de notícias estatal iraniana IRNA divulgou um comunicado da Guarda Revolucionária afirmando que a Força Aeroespacial da organização disparou mísseis balísticos contra a Base Aérea Muwaffaq Salti e o quartel-general do Centcom na nação árabe, além de ter interceptado três petroleiros no Estreito de Ormuz, sustentando que detém “controle total” da rota marítima.
Em paralelo, a mídia estatal iraniana relatou nesta quarta ataques americanos contra Piranshahr — uma cidade na região noroeste do país, na fronteira com o Iraque, onde a Arábia Saudita se juntou aos Estados Unidos para bombardeios conjuntos contra milícias iraquianas apoiadas pelo Irã.
A troca de disparos rompeu uma breve pausa nos bombardeios, que haviam arrefecido desde a última sexta-feira 24. Segundo a imprensa americana, o presidente Trump havia decidido em favor de uma desescalada após ser aconselhado por militares de alto escalão sobre “limites do Exército” e devido à escassez de munição. O ocupante do Salão Oval negou que esse tenha sido o motivo.
Expansão do conflito
A incursão contra o Iraque representa uma expansão do conflito no Oriente Médio, envolvendo agora grupos aliados à república islâmica. Também nesta quarta, o Iêmen acusou os rebeldes hutis de agirem sob orientação do Irã para estabelecer um sistema de cobrança de taxas para navios que transitam pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab el-Mandab — passagem marítima que tornou-se crucial para o transporte de petróleo, especialmente o saudita, após o fechamento de Ormuz.
O ministro da Informação iemenita, Moammar al-Eryani, descreveu a medida como uma “escalada perigosa que visa transformar um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo em uma fonte permanente de financiamento para as atividades militares e terroristas da milícia”. Em declarações à agência de notícias AFP, ele afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica está “ajudando a gerenciar o esforço”.
Na semana passada, os hutis já haviam anunciado um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e, desde então, reivindicaram a responsabilidade por ataques a petroleiros sauditas e a infraestruturas petrolíferas. O bloqueio comprometeu a capacidade da monarquia do Golfo de exportar milhões de barris de petróleo por dia.
O presidente Trump já havia dito anteriormente que os Estados Unidos estão prontos para “lidar” com os hutis. Nesta quarta, ele disse ainda que os bombardeios americanos e sauditas contra as milícias pró-Irã no Iraque foram coordenados com as autoridades de Bagdá, de acordo com a Fox News.
Trump “diz que esses ataques foram coordenados com o governo iraquiano”, destacou uma correspondente da Fox após conversar com o mandatário americano.
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