Por que tirar os EUA da Otan é uma ideia imbecil? Veja no ‘Fronteiras’
Colunista Rodrigo da Silva explica riscos da saída norte-americana da organização. Crédito: Rodrigo da Silva/Estadão
ANCARA – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump chegou nesta quarta-feira, 8, “muito irritado” à reunião de cúpula da Otan em Ancara e distribuiu críticas para todos os lados, com ataques à soberania dinamarquesa da Groenlândia, aos gastos militares da Espanha e ao que considera falta de ajuda dos aliados na guerra contra o Irã.
Em uma conversa com a imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes da abertura formal da cúpula na capital da Turquia, o presidente republicano não poupou ninguém.
“Estou muito irritado com a Otan”, disse aos jornalistas. “Não estou satisfeito com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou satisfeito com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estavam dispostos a nos ajudar”, afirmou.

Durante a cúpula da OTAN, Trump chamou a Espanha de “caso perdido” Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP
Ele retomou o discurso de que os Estados Unidos devem assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, classificando a ilha como estratégica para a segurança global.
A declaração provocou a reação da premiê dinamarquesa, Mette Frederiksen, que afirmou que o país defenderá “cada centímetro” de seu território e reiterou que a Groenlândia não está à venda.
Críticas à Espanha
O mandatário americano também voltou a ameaçar romper as relações comerciais com a Espanha ao afirmar que o país europeu não investe o suficiente em Defesa e por ter recusado o uso de bases militares espanholas na campanha americana contra o Irã.
“A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais relações comerciais com a Espanha”, declarou Trump ao chegar à cúpula da Otan. O presidente americano também classificou Madri como um aliado “terrível” e voltou a cobrar que o governo espanhol aumente os gastos militares para atingir a meta de 5% do PIB destinada à Defesa.
Em resposta, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que recebeu as declarações “com calma e normalidade”. Em nota, o Executivo espanhol destacou que a relação comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia não pode ser direcionada contra um único Estado-membro e ressaltou que os laços econômicos, culturais e de defesa entre os dois países são benéficos para ambos.
Segundo o governo espanhol, os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral, o que significa que Washington exporta mais para a Espanha do que importa. A administração Sánchez também sustenta que cumpre seus compromissos com a Otan ao destinar cerca de 2% do PIB aos gastos com Defesa, apesar da pressão americana para elevar esse percentual.
Após as declarações, Mark Rutte saiu em defesa da Espanha e afirmou que o país deu “um grande passo no ano passado” em relação ao aumento dos investimentos militares. /AFP
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