• Capa
  • Justiça
  • Tecnologia
Terça-feira, Julho 7, 2026
16 °c
Dourados
17 ° Qua
20 ° Qui
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Início
  • Dourados

    Audiência pública debate alcoolismo e fortalecimento da rede de apoio em Dourados

    Sebrae promove Dia D para renegociação de dívidas e acesso a crédito em Dourados

    Com apenas 43% de cobertura, Dourados reforça vacinação contra a gripe

    Definido o regulamento para desfile Cívico Militar de 7 de Setembro

    Vereadores concluem votação da Lei Orçamentária antes do recesso parlamentar

    Marçal Filho mantém rigor nos gastos e reedita decreto de controle orçamentário

    Comércio de Dourados cobra fiscalização e cumprimento da lei para outlet de roupas

    Município intensifica e amplia recuperação de ruas e estradas rurais

    Rede Municipal prepara recesso escolar com resultados positivos e reconhecimento do MEC

  • Mundo
  • Política
  • Brasil
  • Policial
  • Agro
Sem resultado
Ver todos os resultados
FATONEWS :
  • Início
  • Dourados

    Audiência pública debate alcoolismo e fortalecimento da rede de apoio em Dourados

    Sebrae promove Dia D para renegociação de dívidas e acesso a crédito em Dourados

    Com apenas 43% de cobertura, Dourados reforça vacinação contra a gripe

    Definido o regulamento para desfile Cívico Militar de 7 de Setembro

    Vereadores concluem votação da Lei Orçamentária antes do recesso parlamentar

    Marçal Filho mantém rigor nos gastos e reedita decreto de controle orçamentário

    Comércio de Dourados cobra fiscalização e cumprimento da lei para outlet de roupas

    Município intensifica e amplia recuperação de ruas e estradas rurais

    Rede Municipal prepara recesso escolar com resultados positivos e reconhecimento do MEC

  • Mundo
  • Política
  • Brasil
  • Policial
  • Agro
Sem resultado
Ver todos os resultados
FATONEWS :
Sem resultado
Ver todos os resultados

Como funciona o fundo soberano da Noruega, um cofre de US$ 2 trilhões que ninguém pode abrir

Samuel Azevedo por Samuel Azevedo
07/07/2026
no Mundo
Tempo de leitura:8 minutos de leitura
15
A A
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no LinkedinCompartilhe no WhatsAppCompartilhe no Telegram

A Noruega eliminou o Brasil da Copa do Mundo, e desde então debatemos o resultado à procura de um culpado.

Mas enquanto recolhemos os nossos cacos, o país de nossos adversários fechou o último ano com o maior fundo soberano do mundo: cerca de 21,3 trilhões de coroas, algo como US$ 2,2 trilhões – um montante equivalente a quase quatro vezes tudo o que a economia norueguesa produz num ano.

Leiatambém

Otan anuncia acordos de armamento bilionários para demonstrar poderio bélico a Trump

07/07/2026

Coca-Cola, eBay e Tesla pedem que Trump recue de tarifas a produtos brasileiros

07/07/2026

Audiência sobre tarifaço discute como o Pix pode beneficiar os EUA

07/07/2026

EUA fazem audiências públicas sobre práticas comerciais do Brasil

07/07/2026

Dividido pela população, isso dá algo perto de US$ 375 mil para cada norueguês, do recém-nascido ao aposentado. Mas ninguém pode sacar um centavo.

Essa história começa com uma quase desistência. No fim dos anos 1960, diferentes petroleiras furaram o Mar do Norte à procura de óleo e só encontraram água salgada.

A americana Phillips estava pronta para ir embora. Tinha uma sonda alugada – a Ocean Viking –, e uma diária a pagar de qualquer jeito. Decidiu perfurar um último poço só para não jogar o aluguel fora. No dia 23 de dezembro de 1969, avisou o governo: havia petróleo. E muito. O campo se chamaria Ekofisk – e segue produzindo ouro negro, mais de meio século depois.

A Noruega não sabia o que fazer com aquilo. Nunca tinha gerido petróleo. A resposta chegou disfarçada de uma tragédia pessoal.

Uma ajuda iraquiana

Farouk Al-Kasim, geólogo nascido em Basra, no Iraque, era executivo de uma petroleira quando o filho caçula nasceu com paralisia cerebral. A Noruega, terra da sua esposa, tinha um dos melhores sistemas públicos do mundo para tratar a condição. Al-Kasim largou a carreira e mudou-se para Oslo. Num dia de 1968, com algumas horas de sobra antes de pegar um trem, entrou no Ministério da Indústria para perguntar sobre as empresas que operavam no país. Saiu de lá empregado. O ministério precisava justamente de alguém capaz de ler dados sísmicos, e ali estava alguém nessa condição.

Al-Kasim passou três meses debruçado sobre os registros de 13 poços e concluiu que a Noruega estava sentada sobre uma província petrolífera gigantesca. Mais do que isso: conseguiu convencer o governo de que a abundância podia ser uma cilada.

Ele conhecia a “doença holandesa”, o fenômeno em que o dinheiro fácil do petróleo valoriza a moeda, encarece tudo e sufoca a indústria que não é de energia. Por isso, ajudou a desenhar um modelo em que o Estado controlava o jogo sem afugentar o capital: uma petroleira estatal, a Statoil (hoje Equinor), uma agência reguladora independente e tributação pesada sobre a extração. Em 2012, Al-Kasim foi sagrado cavaleiro pela monarquia norueguesa. O homem que salvou a Noruega da maldição do próprio petróleo era um imigrante iraquiano.

Uma nova receita

O raciocínio técnico virou lei em 1971. O Parlamento aprovou os “dez mandamentos do petróleo”, redigidos sob a batuta do deputado Rolf Hellem. Os princípios diziam que o recurso pertencia ao povo, que o Estado supervisionaria tudo, que o gás não seria queimado à toa e que a extração seria tributada com força.

Os partidos combinaram nunca transformar os mandamentos em bandeira eleitoral – e cumpriram. Houve, até aqui, meio século de estabilidade regulatória, sem um governo desmontando o que o anterior havia montado.

Al-Kasim costumava dizer que foram três os milagres: os políticos concordaram com o documento, concordaram em não brigar por ele nas urnas, e mantiveram a palavra.

A disciplina chegou ao ponto da Noruega não gastar o dinheiro. O fundo só nasceu em 1990, quase vinte anos depois do início da produção. O primeiro depósito veio em 1996. A primeira retirada, só em 2016. O país passou quatro décadas construindo um cofre antes de tirar dele a primeira nota.

Como funciona o fundo soberano

O abastecimento é simples de descrever e difícil de imitar. Toda a receita líquida do petróleo entra no fundo: o imposto sobre as petroleiras, que na Noruega chega a uma alíquota marginal de 78%; os dividendos da Equinor; e a participação direta do Estado nos campos, um mecanismo em que o próprio governo é sócio da produção. Esse caixa não passa pelo orçamento comum. Vai direto para o fundo, que investe cada coroa fora da Noruega – de propósito, para não superaquecer a economia interna.

O governo não pode encostar no principal. Só gasta o retorno esperado, num limite apelidado de “regra fiscal”: eram 4% ao ano em 2001, viraram 3% em 2017. Mesmo assim, é dinheiro que banca mais de 1/4 do orçamento nacional. O petróleo paga hospital, escola e estrada sem que a Noruega precise tocar no bolo.

E um detalhe: embora ele seja chamado de “fundo do petróleo”, o petróleo já é minoria dele. Desde 1996, entraram cerca de 5,4 trilhões de coroas vindas do óleo e do gás. Os investimentos, sozinhos, renderam 13,5 trilhões. Mais da metade de todo o fundo não é petróleo: é juro sobre juro, dividendo reinvestido, ação que subiu. O barril plantou a semente. O mercado fez crescer a árvore. Se o Mar do Norte secar amanhã, o cofre continua rendendo sozinho.

Rendimentos impressionantes

E o cofre é grande a ponto de redesenhar o mapa da propriedade mundial. O fundo é dono, em média, de 1,5% de todas as ações negociadas no planeta. São participações em cerca de 7.200 empresas. Ele figura entre os maiores acionistas da Nvidia, da Apple e da Microsoft – hoje a Nvidia é a maior posição da carteira, empurrada pela euforia com inteligência artificial. Em 2025, o fundo rendeu 15,1%, ou 2,36 trilhões de coroas, o segundo melhor resultado da sua história.

E a Noruega faz questão de que o cidadão veja isso acontecer. O site do fundo exibe um contador que sobe (e desce) em tempo real, coroa a coroa. Foi acompanhando esse número que, em janeiro de 2014, os noruegueses viraram milionários no papel: o fundo cruzou a marca que dava mais de um milhão de coroas por habitante. Ninguém enriqueceu de fato – o dinheiro é intocável –, mas a conta virou motivo de orgulho nacional.

Nem toda a fortuna está em papel. O fundo é dono de tijolo em endereços que qualquer turista reconhece. Tem 25% da Regent Street, em Londres. Comprou a fatia da Crown Estate, o braço imobiliário da monarquia britânica, e virou sócio da Coroa numa das ruas mais movimentadas da cidade, com 113 prédios e inquilinos como Apple e Burberry. Tem também 100% de um edifício na Champs-Élysées, pago por 613 milhões de euros, recorde de preço por metro quadrado na avenida. E ainda torre na Times Square, prédios em Nova York e um pedaço de Covent Garden.

Regras mais éticas

O fundo também tem uma lista de proscritos. Um Conselho de Ética independente recomenda quais empresas ficam de fora, e os critérios são duros: fabricantes de armas nucleares, tabaco, carvão, companhias ligadas a violações graves de direitos humanos. Já foram barradas quase duas centenas de empresas. O Walmart caiu em 2006, por práticas trabalhistas, e o embaixador americano foi reclamar pessoalmente no Ministério das Finanças. Em 2025, a Caterpillar foi excluída porque suas escavadeiras eram usadas em demolições em Gaza e na Cisjordânia, ao lado de cinco bancos israelenses – o que rendeu à Noruega uma reprimenda formal do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Empresas brasileiras conhecem o peso dessa lista. A Vale foi excluída depois de Mariana e Brumadinho, por risco de dano ambiental grave. A Eletrobras saiu por causa de Belo Monte e do impacto sobre as comunidades indígenas. Estar na carteira norueguesa é um selo. Ser expulso é um carimbo difícil de lavar.

A régua ética, no entanto, não é imóvel. Em novembro de 2025, sob pressão americana e diante de um mundo mais tenso, o Parlamento norueguês votou por suspender as exclusões por cerca de um ano, para revisar as próprias regras. O placar foi de 85 a 17.

A filosofia do fundo é ser entediante de propósito. Ele não aposta em palpites: acompanha o índice global, compra quase tudo, não pode deter mais de 10% de nenhuma empresa e não investe na própria Noruega. Nicolai Tangen, que comanda a gestora desde 2020, resume sem romantismo: se os mercados caem, o fundo cai junto.

Tangen é um personagem à parte. Ex-gestor de fundo de investimento em Londres, doou a própria fortuna – cerca de US$ 700 milhões – a uma fundação para poder assumir o cargo público sem conflito de interesse. Sua contratação virou escândalo: pouco antes de ser escolhido, ele havia levado convidados num jato particular a um evento com show de Sting que custou US$ 1 milhão. Hoje nada em fiorde gelado às seis da manhã, vai de patinete elétrico ao trabalho e apresenta um podcast em que entrevista gente como Sam Altman e Satya Nadella.

Sob o seu comando, o fundo apostou pesado em inteligência artificial. Ele gere US$ 2,2 trilhões com uma equipe de pouco mais de 600 pessoas – e congelou contratações porque a máquina passou a dar conta do serviço.

Metade dos funcionários programa as próprias ferramentas, que vasculham riscos de quase 9.000 empresas e leem notícias em 16 idiomas. Para filtrar dilemas éticos da carteira, a Noruega usa um modelo de inteligência artificial da Anthropic. Um fundo nascido do petróleo, curando a própria consciência com software de ponta. Há até um flerte involuntário com o mundo cripto: a Noruega não compra bitcoin, mas acabou exposta à moeda sem querer, através de ações de empresas como a Strategy e a Coinbase.

Em 2019, o fundo do petróleo se desfez de mais de uma centena de petroleiras puras da carteira. Oficialmente, para reduzir a exposição ao risco do próprio barril. Ao mesmo tempo, o país nunca deixou de bombear óleo e gás. Depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, a Noruega virou a maior fornecedora de gás da Europa e faturou uma fortuna com a disparada dos preços – dinheiro que engordou o mesmo fundo que se vende como investidor responsável. A Noruega vende o combustível e financia a transição verde com o troco.

Prejuízos acontecem

Nem tudo são recordes. Em 2022, o fundo perdeu 1,64 trilhão de coroas num único ano, com a guerra e a inflação. Mas ninguém em Oslo entrou em pânico – uma vantagem de quem pensa em décadas: um ano ruim vira ruído.

No fim, o segredo norueguês é menos financeiro do que cultural. Existe na Escandinávia uma regra social não escrita, a Janteloven, que desestimula a ostentação e prega que ninguém é melhor que o vizinho. Numa sociedade assim, é politicamente viável guardar trilhões em vez de distribuí-los na véspera da eleição. O eleitor norueguês aceita que o dinheiro do petróleo não é dele. É dos netos que ainda não nasceram.

É isso que torna o cofre de US$ 2 trilhões tão difícil de copiar. A engenharia é conhecida e está toda publicada na internet. O que não se importa é a paciência de um país que achou petróleo, fez as contas com a ajuda de um iraquiano, escreveu dez mandamentos, prometeu não brigar por eles e passou 50 anos sem gastar o principal.

Ninguém na Noruega parece estar à procura de culpados.

Donation

Buy author a coffee

Donate

Related


Discover more from FATONEWS :

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Samuel Azevedo

Samuel Azevedo

Trabalhamos sempre pelo melhor!

NotíciasRelacionadas

Mundo

Otan anuncia acordos de armamento bilionários para demonstrar poderio bélico a Trump

07/07/2026
Mundo

Coca-Cola, eBay e Tesla pedem que Trump recue de tarifas a produtos brasileiros

07/07/2026
Mundo

Audiência sobre tarifaço discute como o Pix pode beneficiar os EUA

07/07/2026
Mundo

EUA fazem audiências públicas sobre práticas comerciais do Brasil

07/07/2026
Capa

Corpos sob escombros, crianças mordidas por ratos e futuro incerto: a vida em Gaza meses após cessar-fogo não sair do papel

05/07/2026
Mundo

Em aniversário de 250 anos dos EUA, Trump critica comunismo e defende mudanças nas eleições

05/07/2026

Recomendadas

Otan anuncia acordos de armamento bilionários para demonstrar poderio bélico a Trump

57 minutos ago

NetNut: a botnet de 2 milhões de aparelhos que virou alvo do FBI

57 minutos ago

Tendência

Trump pede que Israel “termine o trabalho” em Gaza

12 meses ago

Ação da PF abre nova crise para a campanha de Flávio Bolsonaro

2 horas ago

MAIS LIDAS

Trump pede que Israel “termine o trabalho” em Gaza

12 meses ago

Caso de bolo envenenado com arsênio completa um mês

1 ano ago
Screenshot

Quem é o juiz que atropelou ciclista ao dirigir embriagado com mulher nua no colo

12 meses ago

Trump limita comentários de perfil oficial no Instagram após brasileiros criticarem tarifaço: ‘país soberano’

12 meses ago

‘Dízimos para Deus’: Igreja Universal terá que devolver R$ 50 mil à fiel com bipolaridade

1 ano ago
FATONEWS :

Somos uma empresa de comunicação voltada a divulgar a notícia verdadeira, em amplo combate a fake news.

Categorias

  • Agro (177)
  • Brasil (1.147)
  • Capa (1.660)
  • Carros (115)
  • Cidades (776)
  • Cultura (148)
  • Dourados (901)
  • Economia (604)
  • Educação (63)
  • Eleições (20)
  • Esportes (7)
  • Justiça (453)
  • Land Mark (5)
  • Mundo (660)
  • Opinião (115)
  • Policial (420)
  • Política (806)
  • Saúde (374)
  • Sociedade (160)
  • Tecnologia (329)
  • Uncategorized (21)

Siga-nos

  • Capa
  • Justiça
  • Tecnologia

Copyright © 2012 - 2026, Reprodução permitida se citada a fonte. Samuka Câmara 67 98144-9925

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Manage Consent
To provide the best experiences, we use technologies like cookies to store and/or access device information. Consenting to these technologies will allow us to process data such as browsing behavior or unique IDs on this site. Not consenting or withdrawing consent, may adversely affect certain features and functions.
Functional Sempre ativo
The technical storage or access is strictly necessary for the legitimate purpose of enabling the use of a specific service explicitly requested by the subscriber or user, or for the sole purpose of carrying out the transmission of a communication over an electronic communications network.
Preferences
The technical storage or access is necessary for the legitimate purpose of storing preferences that are not requested by the subscriber or user.
Statistics
The technical storage or access that is used exclusively for statistical purposes. The technical storage or access that is used exclusively for anonymous statistical purposes. Without a subpoena, voluntary compliance on the part of your Internet Service Provider, or additional records from a third party, information stored or retrieved for this purpose alone cannot usually be used to identify you.
Marketing
The technical storage or access is required to create user profiles to send advertising, or to track the user on a website or across several websites for similar marketing purposes.
  • Gerir opções
  • Gerir serviços
  • Gerir {vendor_count} fornecedores
  • Leia mais sobre esses propósitos
View preferences
  • {title}
  • {title}
  • {title}
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Cart
  • Checkout
  • Home 1
  • My account
  • Sample Page
  • Shop

Copyright © 2012 - 2026, Reprodução permitida se citada a fonte. Samuka Câmara 67 98144-9925

Este site utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este site, você concorda com a utilização de cookies.

Not enough quota to unlock this post
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?