O Pix recebeu pouca oposição oposição durante o primeiro dia de audiência pública sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, disse Gustavo Pessoa, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) em entrevista a Veja Negócios. Segundo o professor, o principal ponto partiu de uma representante do Tesouro americano, que quis saber de que forma os Estados Unidos poderiam se beneficiar do modelo brasileiro de pagamentos instantâneos.
“A representante do Tesouro Americano quis saber como o Pix poderia beneficiar os Estados Unidos. Vinícius Pinto, outro palestrante presente, sugeriu que uma eventual integração entre o Pix e o FedNow — sistema de pagamentos instantâneos do Federal Reserve — poderia trazer benefícios aos dois países”, disse Pessoa.
Já em sua resposta, o professor defendeu que a maior economia do mundo deveria aprender com experiências bem-sucedidas de inovação financeira, como o Pix.
Pessoa afirmou ainda que a principal crítica feita ao Pix — a de que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador da infraestrutura — apareceu apenas de forma genérica e perdeu força diante da existência do próprio FedNow, criado em 2023.
“O argumento é fraco porque os sistemas são muito parecidos. A principal diferença é que a adesão ao FedNow é voluntária, enquanto o Pix tem participação praticamente obrigatória das instituições financeiras”, disse.
Segundo ele, também foi destacado que empresas americanas de tecnologia, como fornecedoras de infraestrutura, cibersegurança e meios de pagamento, foram beneficiadas pela expansão do Pix no Brasil. De acordo com o professor, as conversas foram amplamente técnicas e voltadas para o benefício e malefício do tarifaço para a economia americana.
Decisão final será política
Embora tenha considerado as audiências predominantemente técnicas, Pessoa acredita que a decisão final sobre a manutenção ou flexibilização das tarifas dependerá muito mais de fatores políticos do que das manifestações apresentadas durante os debates.
Na avaliação dele, técnicos do Departamento de Comércio, do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), do Tesouro e de outros órgãos demonstraram interesse em reunir dados e argumentos para subsidiar a decisão final, solicitando inclusive documentação adicional aos participantes.
“A impressão é que existe um esforço do corpo técnico do USTR para produzir uma análise bastante robusta para que o tarifaço não se concretize. No entanto, todo mundo entende que a decisão final será política”, conclui Gustavo Pessoa.
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