O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já pode julgar o caso que envolve a advogada Karina Nunes Marques, irmã do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, e uma ação de quase R$ 1 bilhão apresentada por ela em nome do empresário Walter Faria, dono da cervejaria Itaipava.
O Ministério Público Federal (MPF) acusa o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto de ter beneficiado o cliente da irmã do ministro do Supremo depois de uma suposta manipulação na distribuição do processo.
O caso está parado há nove meses no CNJ, mas depois de questionamentos da coluna, a conselheira Jaceguara Dantas da Silva decidiu liberar para julgamento. Ainda assim, o presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, ainda não incluiu o processo na pauta.
O julgamento coloca Kassio Nunes Marques como mais um ministro do Supremo a enfrentar questionamentos sobre sua conduta. Depois da decisão favorável ao cliente de sua irmã, Nunes Marques apoiou Catta Preta para uma vaga de desembargador no TRF-1.
A movimentação ocorre depois de a coluna revelar, em julho, que o caso estava parado há meses sem movimentação. O processo chegou ao CNJ em novembro de 2025 e foi distribuído ao gabinete de Jaceguara em fevereiro deste ano. Ela levou cinco meses para dar apenas um despacho. O processo corre sob segredo de Justiça.
Em julho, a coluna revelou relatos de que Jaceguara estaria sendo pressionada pelo ministro Kassio Nunes a segurar o processo. A conselheira negou e afirmou que o caso seguia “trâmite regular”. Disse também não conhecer Kassio Nunes.
A ação que está no centro do caso foi apresentada em 2022 por Karina Nunes Marques em nome de Walter Faria. Segundo a Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), houve “manipulação” na distribuição para que o processo fosse direcionado à Vara comandada por Catta Preta.
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