As ações da Casas Bahia (BHIA3) afundam na Bolsa de Valores brasileira nesta segunda-feira (17), após a companhia entrar com pedido de recuperação judicial e reportar prejuízo milionário no segundo trimestre (2T26), além de confirmar fechamento de lojas e demissões. Na mínima da sessão, os papéis tombaram 36% e bateram a cotação de R$ 0,42. Por volta das 10h48, entraram em leilão, mas já tiveram as negociações retomadas.
Às 12h24, as ações estavam sendo negociadas com queda de 22,73%, a R$ 0,51. No mesmo horário, o Ibovespa hoje recuava 0,22% – veja a cobertura completa da Bolsa aqui.
De acordo com a empresa, o pedido de recuperação judicial ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O documento também menciona a não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas.
O pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP) e contou com aprovação do acionista controlador. A empresa listou R$ 17,322 bilhões em créditos sujeitos ao processo. Na petição, a Casas Bahia afirma enfrentar “a pior crise financeira desde a sua fundação”.
Como parte da nova etapa de reestruturação, o grupo informa ainda que está demitindo cerca de 3 mil funcionários e fechando quase 300 lojas em agosto.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o choque do mercado financeiro hoje fica com o pedido de recuperação da varejista. “Os dados já mostravam que a empresa não estava bem das pernas, mas esse pedido de recuperação judicial pode ser considerado um marco para um País que nitidamente enfrenta uma turbulência econômica”, diz.
Prejuízo da empresa aumenta em um ano
Depois de adiar a divulgação do balanço do segundo trimestre duas vezes, a empresa divulgou o resultado na madrugada de domingo (16). A companhia teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 978 milhões no período, uma alta de 76,2% ante o registrado no segundo trimestre de 2025. O prejuízo líquido contábil no intervalo, por sua vez, foi de R$ 10,117 bilhões, número impactado por valores não recorrentes.
O volume bruto de mercadoria (GMV) consolidado cresceu 0,5% em um ano, para R$ 10,512 bilhões, mas o referente a lojas físicas caiu 3,2%, para R$ 6,084 bilhões.
A receita líquida somou R$ 6,977 bilhões, alta anual de 1,6%. O total das despesas operacionais foi de 5,362 bilhões e o custo das mercadorias vendidas somou R$ 4,626 bilhões.
A linha de outras despesas e receitas operacionais ficou positiva em R$ 3,529 bilhões, o que possibilitou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 518 milhões, cifra 9,4% menor que a de um ano antes. A margem Ebitda foi de 7,4% no segundo trimestre, 0,9 ponto porcentual menor em 12 meses.
Além disso, a auditoria Ernst & Young emitiu um relatório com abstenção de conclusão sobre as demonstrações financeiras. Os auditores destacaram uma “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia.
Para a XP Investimentos, a Casas Bahia reportou um segundo trimestre desafiador, com resultados fracos. A corretora colocou a recomendação e o preço-alvo para a varejista em revisão. “Diante da incerteza relevante sobre a continuidade operacional e da posição de liquidez restrita, estamos colocando nossa recomendação e preço-alvo em revisão até termos maior visibilidade sobre os resultados da fase 2 do plano de transformação e as alternativas para a estrutura de capital”, diz.
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