Durante evento no Palácio do Planalto, realizado nesta quinta-feira (6), no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que endurece as penas para crimes sexuais praticados no ambiente digital, a primeira-dama Janja da Silva defendeu a derrubada da plataforma Discord.
O apelo da primeira-dama faz referência ao caso de um grupo que teria induzido uma menina de 13 anos ao suicídio por meio da plataforma. Cinco adolescentes e um adulto foram presos na última terça-feira (4). Os investigados têm entre 13 e 18 anos e são suspeitos de envolvimento em outros casos de indução à automutilação e de violência contra animais.
De acordo com informações da investigação, o líder do grupo seria um adolescente de 13 anos, apreendido no Rio de Janeiro.
Durante sua fala, Janja defendeu o bloqueio do Discord no Brasil:
“Quais são os instrumentos que a gente tem? Porque a punição, a gente acha que já está com uma cobertura muito boa de punição. Mas eu acho que a gente precisa retirar, imediatamente […] o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. A gente precisa encontrar instrumentos para que isso aconteça, ministro.”
Em seguida, a primeira-dama afirmou que o que ocorreu com a menina de 13 anos é inaceitável:
“Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo, no Discord, e se enforcar. Eu não consigo admitir um país desse. A gente precisa encontrar os instrumentos legais… Eu faço um apelo aqui para que a gente consiga… Esse não é um caso isolado. São muitos e muitos casos, e a gente precisa atuar junto ao Judiciário para tirar essa rede horrorosa do ar.”
Operação desarticula grupo que induzia suicídio e violência contra animais em transmissões ao vivo no Discord
Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira (4) desarticulou um grupo que induzia crianças e adolescentes ao suicídio, à automutilação e à violência contra animais em transmissões ao vivo na plataforma Discord. Ao todo, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos de mandados judiciais cumpridos em cinco estados brasileiros. O grupo é investigado por homicídio qualificado e organização criminosa após a morte de uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul, cuja agonia foi transmitida em tempo real pela rede social.
A Operação Policial e as Prisões
Os mandados judiciais foram cumpridos simultaneamente no Ceará, em Minas Gerais, no Mato Grosso do Sul, no Pará e no Rio de Janeiro, evidenciando que o grupo operava de forma dispersa pelo país, articulado pelo ambiente virtual. A abrangência geográfica da ação indica que a investigação acompanhou a estrutura da própria rede criminosa, que não tinha base física centralizada.
O suspeito de liderar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. A faixa etária dos envolvidos, entre 13 e 18 anos, não diminui a gravidade dos crimes apurados: a investigação aponta para uma organização com divisão de funções, recrutamento ativo de vítimas e produção sistemática de conteúdo violento. O caso tramita em segredo de Justiça.
As Ações do Grupo e as Vítimas
A menina de 13 anos morava em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. Ela tirou a própria vida na casa onde residia com a família, e a ação foi transmitida em tempo real no Discord para outros usuários da plataforma. Não se tratou de um episódio isolado: durante a mesma transmissão ao vivo, outra adolescente também foi induzida a se automutilar e a tentar tirar a própria vida. Segundo a Polícia Civil, ela abandonou a live antes de consumar o ato.
O padrão de atuação do grupo ia além de um único evento. Os suspeitos usavam o Discord para incentivar, em transmissões ao vivo, a automutilação, a violência contra animais e outros crimes, transformando a plataforma num espaço de exibição e estímulo coletivo à barbárie. A estratégia de recrutamento era deliberada: os investigados atraíam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade por meio de plataformas digitais, propondo o que chamavam de desafios violentos. A vulnerabilidade das vítimas não era acidental, era o critério de seleção.
As Investigações
A Polícia Civil apura, além da indução ao suicídio, a prática de maus-tratos a animais, a produção e o compartilhamento de conteúdos violentos e a atuação do grupo em comunidades virtuais voltadas a práticas criminosas. Os suspeitos respondem por homicídio qualificado e organização criminosa. Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos, que passarão por perícia técnica.
A análise dos dispositivos é considerada peça central para o avanço do caso. Segundo a polícia, os laudos periciais devem ajudar a identificar outros integrantes ainda não alcançados pela operação, esclarecer a dinâmica interna da organização e verificar se há novas vítimas além das já conhecidas. A polícia não descarta novas fases da operação à medida que as provas forem analisadas, o que indica que a ação desta terça-feira pode ser apenas o primeiro movimento de uma investigação mais longa.
Quem precisar de apoio emocional pode ligar para o CVV pelo número 188, gratuito e disponível em todo o território nacional, a qualquer hora.
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