Os cinco maiores bancos de capital aberto do Brasil distribuíram mais recursos aos acionistas, entre dividendos e juros sobre capital próprio, durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que em todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
É o que mostra um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta, que analisou pagamentos feitos a investidores por Banco do Brasil, Bradesco, BTG, Itaú e Santander.
O estudo aponta que os bancões desembolsaram R$ 195,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) entre janeiro de 2023 e março deste ano, ou seja, em três anos e três meses.
O montante supera em 24,2% os R$ 157,5 bilhões distribuídos pelas mesmas instituições entre 2019 e 2022, nos quatro anos do governo Bolsonaro.
O levantamento considera apenas os valores efetivamente pagos aos investidores. Diferentemente de levantamentos baseados em dividendos anunciados ou aprovados, a análise contabiliza apenas os recursos que saíram do caixa das instituições financeiras e foram creditados aos acionistas.
“Os dados mostram que os grandes bancos atravessaram um dos ciclos mais rentáveis da história recente do setor financeiro brasileiro”, diz Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
Lucros recordes
Rivero observa que a ampliação dos dividendos ocorre em um período marcado por juros elevados e lucros recordes no sistema financeiro nacional. Entre 2022 e 2025, a taxa Selic permaneceu em patamares historicamente altos, favorecendo as margens financeiras e contribuindo para resultados expressivos dos grandes bancos.
O reflexo apareceu diretamente na remuneração dos acionistas. Somente em 2025, os cinco bancos analisados desembolsaram R$ 85,3 bilhões em dividendos e JCPs, o maior valor anual registrado em toda a série histórica analisada pela consultoria.
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