O diretor de uma funerária começou a ser julgado nesta segunda-feira, 27, em Hull, no norte da Inglaterra, por armazenar corpos em vez de cremá-los e entregar a familiares as cinzas de pessoas desconhecidas.
Robert Bush se declarou culpado em abril pelos crimes, cometidos ao longo de 12 anos.
O Tribunal de Hull ouvirá durante cinco dias os depoimentos de cerca de cem familiares das vítimas. Ao fim das audiências, o juiz anunciará a sentença do réu.
A funerária de Bush, Legacy Independent Funeral Directors, era, nas palavras de um ex-funcionário, “como algo saído diretamente de um filme de terror”, afirmou o promotor Chris Paxton.
Segundo o promotor, enquanto desfrutava da confiança das famílias, o acusado as maltratou “em uma escala quase industrial”.
Policiais que revistaram as instalações da empresa após uma denúncia encontraram, em uma câmara frigorífica, 31 corpos que deveriam ter sido cremados meses antes, além das cinzas de cerca de cem pessoas.
Jasmine Beverley, mãe de um bebê que nasceu morto e cujo corpo foi encontrado dois anos depois, disse que considerava Bush “encantador” e “muito respeitoso” quando confiou a ele a organização da cremação do filho.
“Foi um choque descobrir o que realmente estava acontecendo”, disse Jasmine à emissora britânica BBC. Ela contou que os restos mortais de seu filho, Sunny, estavam em um saco marrom colocado no chão.
O diretor da funerária também admitiu ter entregue a quatro mulheres cinzas que não pertenciam aos seus filhos, mortos durante a gestação.
Além das cerca de 30 acusações por negar um sepultamento digno às vítimas, Bush também se declarou culpado por furtar doações destinadas a 12 instituições de caridade, apropriando-se de valores entregues pelas famílias.
O caso expôs a falta de regulamentação do setor funerário no Reino Unido. As famílias afetadas agora fazem campanha para que a atividade seja regulamentada./Com informações da AFP
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