Durante representação ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirmou que provas coletadas apontam que Mariangela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados mais conhecida como “Tuca”, tinha permissão do presidente da câmera, Hugo Motta, para atuar na indicação de emendas parlamentares pelo carioca Eduardo Cunha, que não ocupa qualquer cargo parlamentar.
“Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, diz a PF.
Cunha foi presidente da Câmara de Deputados entre 2015 e 2016, quando renunciou pouco antes de ter o mandato cassado pelo plenário. Ainda assim, a investigação da PF alega que ele operava com poderes equivalentes e até superiores aos de parlamentares eleitos, com influência direta sobre o direcionamento dos recursos federais.
O texto do relatório ainda descreve o caso como “um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência“.
A investigação se volta principalmente ao desvio de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Em resposta, Dino determinou que até 6,15 milhões de reais serão bloqueados em bens de Cunha. Assinada em 6 de julho, a decisão também suspendeu imediatamente todas as despesas públicas ligadas às emendas questionáveis.
Todas as emendas em questão foram empenhadas no final de 2025, quando Hugo Motta já ocupava a presidência da Casa. Até o momento, ele não se pronunciou sobre o desdobramento da investigação.
As evidências consideradas por Dino são mensagens de texto e “inúmeras planilhas” trocadas entre Cunha e Tuca. “Eduardo Cosentino da Cunha, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos, especialmente em prol de sua anunciada campanha ao cargo de Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais“, escreveu o ministro.
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