Luiz Moura, empresário do ramo da construção civil e antigo proprietário das casas no Morro Santa Terezinha, em Santos (SP), deu detalhes surpreendentes sobre a negociação com Neymar no podcast Fala, Lazinho. Segundo ele, tudo começou quando um corretor apareceu perguntando se ele queria vender o imóvel — que nunca esteve anunciado para venda. Um dos “parças” do jogador fez uma visita e, ao ver a propriedade, fez uma videochamada com o comprador.
A negociação durou menos de uma semana. Luiz disse que não abriu espaço para contraproposta nem para barganhar o preço — e Neymar aceitou tudo na hora. No dia de assinar a escritura, o empresário só quis uma garantia: o dinheiro na conta antes de qualquer assinatura. “Quando meu advogado falou sobre o pagamento, na mesma hora recebi uma ligação. Ele fez o Pix e saí só com a roupa do corpo”, disse o empresário. Moura revelou que nunca chegou a encontrar Neymar pessoalmente.
A mansão foi vendida de porteira fechada — móveis, eletrodomésticos, louças, roupas de cama e itens de decoração incluídos. Pouco depois, um dos amigos do craque mostrou a coleção de motos do filho de Moura, que também foi comprada no ato, sem negociação de preço.
O valor exato nunca foi confirmado pelo jogador nem pelo vendedor oficialmente. Mas o imóvel — na verdade, um conjunto de duas casas com dez suítes, academia, piscina de borda infinita, sala de cinema, spa e garagem para mais de 20 carros, em um terreno de até 3 mil m² — chega a ser avaliado em mais de 50 milhões de reais.
Mas dá para fazer um Pix de R$ 50 milhões?
Sim, e não é nem perto do recorde. Pelo regulamento do Banco Central, o Pix não tem limite de valor definido por lei. São as próprias instituições financeiras que estabelecem limites por questões de segurança, e esses limites podem ser ajustados pelo cliente mediante solicitação. Para pessoas físicas com perfil adequado e limites ampliados, transações milionárias são tecnicamente viáveis.
Segundo o Banco Central, o maior Pix já realizado na história do Brasil foi de 3 bilhões de reais, em 1º de outubro de 2024, em uma única transação feita por uma pessoa jurídica. Antes disso, o recorde havia sido de 2 bilhões de reais — marca alcançada duas vezes em 2023, em abril e setembro, pela mesma empresa. Em 2022, o Pix recordista movimentou 1,2 bilhão de reais.
Para pessoas físicas, o maior Pix individual registrado foi de 195 milhões de reais, realizado em 20 de dezembro de 2024. O suposto Pix de Neymar, portanto — se de fato girou em torno dos 50 milhões de reais — está longe do topo do ranking, mas ainda assim é um valor extraordinário para uma ferramenta que, na média, processa transações de apenas 257 reais.
Vale mencionar que o Banco Central impõe restrições específicas a determinadas instituições. Em setembro de 2025, o BC estabeleceu um teto de 15 mil reais por transação para instituições de pagamento não autorizadas e para aquelas que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional via PSTI (empresas de tecnologia intermediárias), como medida de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. Para os grandes bancos tradicionais, os limites seguem sendo definidos por cada instituição — e, desde janeiro de 2023, por determinação do BC, eles não são mais obrigados a impor tetos de valor, apenas restrições por período de tempo (dia ou noite), deixando para cada cliente a possibilidade de ampliar seus próprios limites mediante solicitação formal.
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