A prefeitura de Glória de Dourados acumula ao menos R$ 1,175 milhão em cachês de shows para a 35ª Expoglória, que começa no dia 30 de abril. O município tem 10.444 habitantes e receita bruta anual de R$ 81,6 milhões.
São cinco contratos firmados por inexigibilidade de licitação. O maior deles, de R$ 355 mil, foi destinado à MB Produções Ltda. A K10 Produções Artísticas Ltda recebeu R$ 250 mil para show no dia 3 de maio. Danilo & Davi foram contratados por R$ 230 mil, Léo & Raphael por R$ 180 mil e CountryBeat por R$ 160 mil.
Todas as contratações se amparam no artigo 74, inciso II, da Lei 14.133/2021, que permite a dispensa de licitação quando há inviabilidade de competição. O instrumento é legítimo, mas a Nova Lei de Licitações exige que cachê, transporte, hospedagem e infraestrutura sejam discriminados separadamente nos contratos. Os extratos publicados no Diário Oficial apresentam apenas valores globais, sem esse detalhamento.
O montante chama atenção pela proporção. Para comparação, Dourados, com mais de 200 mil habitantes e orçamento de R$ 2,15 bilhões, destinou R$ 2,14 milhões para toda a área de cultura em 2026.
Glória de Dourados comprometeu mais da metade desse valor apenas com cachês de um único evento.
Em Pernambuco, a Associação Municipalista fixou teto de R$ 350 mil por artista em festas públicas. Mato Grosso do Sul não possui limite semelhante.
A entrada na Expoglória é franca em todos os dias, e o evento é financiado integralmente com recursos públicos. Até o fechamento desta apuração, a prefeitura de Glória de Dourados não se pronunciou sobre os critérios que definiram o volume investido em atrações musicais.
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