O relatório da Polícia Federal (PF) entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre as conexões entre Daniel Vorcaro e Dias Toffoli encontradas no celular do banqueiro contradiz frontalmente a versão do ministro e relator do caso Master sobre os pagamentos relacionados ao resort Tayaya.
Toffoli passou a ser alvo de questionamentos depois da revelação de que uma empresa de sociedade anônima controlada por dois de seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, a Maridt, foi sócia do hotel de luxo localizado em Ribeirão Claro (PR). A companhia vendeu em 2021 uma parcela de sua participação para um fundo controlado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também é investigado no inquérito do Master e chegou a ser preso pela PF.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete de Toffoli no STF admitiu pela primeira vez que o magistrado é sócio da Maridt. O comunicado alega que o ministro recebeu dividendos pela venda da cota para o Arleen, fundo que tem Zettel como único cotista, em 2021 – mas nega que ele tenha recebido qualquer pagamento de Daniel Vorcaro ou do cunhado dele.
No entanto, o relatório entregue pela PF a Fachin detalha diálogos entre o CEO do Master e Zettel sobre pagamentos a serem repassados para Toffoli são de dezembro de 2024, ou seja, três anos após a venda de parte das cotas para o fundo do cunhado de Vorcaro.
Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do Arleen.
Na nota, o gabinete de Toffoli sustenta ainda que a participação da Maridt no Tayaya já foi “integralmente encerrada” com a venda do restante das cotas a uma empresa chamada PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025.
No entanto, o conteúdo do material entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Fernandes, a Fachin na última segunda-feira (9) deixa claro que a versão não para de pé.
A partir das informações contidas no relatório da Polícia Federal, Toffoli terá de explicar qual a natureza dos pagamentos discutidos por Vorcaro e Zettel no fim de 2024.
O material está sendo discutido pelo presidente do STF neste momento em uma reunião fechada entre os ministros da Corte com a presença de Toffoli.
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