O líder de uma seita apocalíptica queniana, ligada a mais de 400 mortes, foi condenado nesta segunda-feira, 20, pelo assassinato de 190 crianças e um adulto, após ordenar que seus seguidores jejuassem até a morte para encontrar Jesus.
A juíza Diana Kavedza determinou que o pastor Paul Mackenzie, líder da igreja Good News International Church, comandava um sistema organizado que utilizava ensinamentos religiosos para forçar os seguidores a jejuar até morrerem.
Em 2023, mais de 400 corpos foram exumados de covas rasas no Chakama Ranch — uma propriedade de 320 hectares no condado costeiro de Kilifi —, onde os seguidores de Mackenzie viviam em cabanas de barro, longe da vigilância das comunidades locais e das autoridades.
Mackenzie foi preso e acusado de homicídio, juntamente com sua mulher e dezenas de seus seguidores. Alguns desses seguidores tornaram-se, posteriormente, testemunhas de acusação no caso. O julgamento teve início em 2023.
Ele negou todas as acusações, afirmando que não forçou seus seguidores a jejuar. Uma audiência para a apresentação de argumentos sobre a pena será realizada no dia 30 de outubro, e a sentença está marcada para 6 de novembro.
Crianças eram agredidas se tentassem fugir
O tribunal concluiu que a ordem para jejuar até a morte começou pelas crianças; guardas eram posicionados para impedir que elas fugissem, agredindo aqueles que tentavam escapar ou se alimentar.
Mackenzie também instruía seus seguidores a rejeitar a educação e os cuidados médicos. Em sua decisão desta segunda-feira, a juíza Kavedza afirmou que “o tratamento médico era apresentado como um instrumento de Satanás”.
Para William Ponda Ngala — que perdeu a mãe, o irmão mais velho e dois sobrinhos —, a condenação de Mackenzie traz a esperança de que o caso sirva de lição para outros líderes religiosos que, no futuro, possam tentar explorar seus seguidores.
“Finalmente, como família, podemos respirar aliviados, sabendo que Mackenzie e todos aqueles que causaram as mortes dos meus familiares foram condenados”, disse ele à Associated Press nesta segunda-feira. Em abril do ano passado, o Tribunal de Apelação autorizou o Ministério Público a prosseguir com 191 acusações de homicídio contra Mackenzie e seus corréus.
Em maio de 2024, o Tribunal Superior determinou que a acusação reduzisse o número de acusações de homicídio para, no máximo, 12. Contudo, o Tribunal de Apelação decidiu que a lei não estabelece um limite para o número de acusações que podem ser apresentadas contra um réu.
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