O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi às redes nesta segunda-feira, 5, para elogiar o Brasil pela rapidez na contagem dos votos, na véspera, do primeiro turno das eleições, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 1,87 pontos percentuais e levou a disputa para a segunda volta.
Trump, que vem questionando a integridade do sistema eleitoral americano desde que perdeu as eleições de 2020 para o democrata Joe Biden, usou o exemplo brasileiro para dizer que a votação nos Estados Unidos é “corrupta”.
“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram logo após o encerramento da votação, no MESMO DIA!”, exclamou o presidente americano. “Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e em inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados — com números muito menores — muitas vezes levam semanas para serem fraudados… digo, calculados. O sistema de votação nos EUA é CORRUPTO!!! Presidente DJT”, completou ele.
(Curiosamente, o post foi editado: antes referia-se erroneamente a eleições na Índia, que não manteve pleito nenhum no domingo.)

A contagem de votos nos Estados Unidos demoram dias ou semanas porque o sistema é descentralizado, sem a atuação de um órgão federal como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cada estado e condado tem regras próprias, e há um grande volume de cédulas de papel e votos pelo correio — mesários precisam abrir os envelopes, verificar assinaturas e autenticar os dados antes de inserir os votos no sistema.
Trump, porém, tornou-se conhecido por criticar a mecanização do sistema eleitoral, afirmando que urnas eletrônicas são “vulneráveis” e “facilmente comprometidas” por invasão e manipulação estrangeiras. Sem apresentar provas, ele usou tais alegações, entre outras, para sustentar que o pleito americano em 2020 foi fraudado e que sua derrota para Biden seria falsa.
No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) emulou o discurso para questionar a integridade do sistema eleitoral ao longo da campanha presidencial de 2022, antes da derrota para Lula e de ser condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. Neste ano, seu filho repetiu a estratégia durante reunião com diplomatas em julho, quando declarou que as urnas eletrônicas brasileiras são de uma empresa venezuelana (Smartmatic) e que um relatório da CIA provaria que ela esteve envolvida num plano de fraude eleitoral do ex-ditador Nicolás Maduro, que está sendo julgado por narcotráfico num tribunal de Nova York.
Após a vitória no primeiro turno, claro, Flávio não voltou a questionar o sistema brasileiro.
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