Um relatório da Polícia Federal que veio a público nesta sexta-feira, 11, depois do levantamento do sigilo das investigações do caso Master, mostra que o senador e ex-líder do PT Jaques Wagner (BA), teria pedido ao Banco Master um apartamento no valor de aproximadamente R$ 2,4 milhões em Salvador e R$ 3,5 milhões, pagos a empresas fantasmas de familiares, em troca de uma atuação favorável aos interesses da instituição financeira no Congresso.
O documento da PF instrui o pedido de abertura de invstigações contra o senador. No relatório, há trocas de mensagens entre o parlamentar, assessores de gabinete e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner é investigado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
“Os elementos até agora reunidos revelam participação direta do senador Jaques Wagner no negócio imobiliário suspeito (a compra do aparamento em Salvador), tendo partido do parlamentar as primeiras referências do imóvel, contato da construtora, em mensagem enviada ao banqueiro Augusto Lima, evento que constitui ponto de partida para as providências seguintes, todas com participação e acompanhamento direto do senador”, disse a Polícia Federal.
Há indícios de que Wagner escolheu o apartamento que desejava. O imóvel em questão foi adquirido ainda na planta e, segundo as investigações, “registrado em nome de terceiro indicado por Augusto Lima como modo de camuflar a real titularidade do bem”.
No dia 13 de agosto de 2024, data em que Ciro Nogueira, também investigado no caso Master, apresentou uma sugestão de emenda à PEC que discutia a autonomia do Banco Central, Wagner e Augusto Lima conversaram ao telefone por quase dez minutos. Nesse mesmo dia, Daniel Vorcaro comemorou com outros contatos a possibilidade de aprovação da sugestão de emenda.
“O próprio Vorcaro atribuía ao senador posicionamento favorável à operação de aquisição do Banco Master pelo BRB – operação de natureza essencialmente regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central –, sugerindo percepção, no âmbito dos interlocutores, de possível alinhamento político”, diz a PF.
Segundo as investigações da PF, os R$ 3,5 milhões pagos por transferência bancária teriam saído da PKL One Participações, ligada a Augusto Lima, para a BN Financeira Ltda, que é ligada a Eduardo Sodré, enteado do senador. A suspeita é de que o parlamentar seja beneficiário de valores transferidos do grupo Master “para empresas registradas em nome de seu enteado e nora, aparentemente sem estrutura operacional ativa”.
Em mensagens que estão no documento, Sodré cobra o pagamento do sócio de Daniel Vorcaro. “No dia 17/10/2025, Augusto Lima envia o comprovante de transferência no valor de R$ 3.500.000,00, sendo agradecido por Eduardo Sodré, enteado do Senador Jaques Wagner. De acordo com o comprovante enviado, a remetente dos recursos foi a PKL One Participações”, diz trecho do relatório da PF.
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