“Vote Tiririca, pior que tá não fica.”
A frase virou piada nacional em 2010 — e funcionou. Ele foi o deputado federal mais votado do Brasil, quase 1,4 milhão de votos, sem propor absolutamente nada. O eleitor sabia que era piada. Riu, votou, e elegeu um comediante justamente por ele não fingir ser político.
O problema é o que veio depois: virou modelo de negócio. Se o cargo mais importante da representação popular pode ser conquistado assumindo publicamente que não tem projeto, por que qualquer um investiria em construir um?
Tiririca, sem querer, expôs a fragilidade do sistema antes de qualquer influenciador ou herdeiro fazer o mesmo depois dele. A pergunta que ficou não é sobre ele. É sobre o que o eleitor está realmente comprando quando vota: representação, ou entretenimento?
Quando rir do sistema vira mais eficiente que consertar o sistema, o problema não é o palhaço. É a plateia que aplaude.
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