
A Justiça concedeu liberdade provisória ao zootecnista Manolo
Azambuja Lima, de 42 anos, preso em flagrante na noite de sexta-feira (21) após
tentar beijar uma garçonete à força em uma choperia no centro de Dourados. Ao
abordarem o veículo em que ele seguia com dois amigos, os policiais militares encontraram
uma pistola calibre 9mm municiada sob o banco do Hyundai Creta. O homem
precisou ser contido com o uso de arma de choque (Taser) após desobedecer às
ordens policiais.
Na decisão, o juiz Luiz Alberto de Moura Filho entendeu
que não há requisitos para mantê-lo preso e substituiu a prisão preventiva por
medidas cautelares e fiança de 10 salários mínimos (R$ 16.210,00). Para
permanecer em liberdade, Manolo Azambuja Lima terá de cumprir medidas
cautelares, como proibição de frequentar bares ou locais com consumo de álcool,
se apresentar mensalmente em juízo e manter seu endereço atualizado. O alvará
de soltura foi expedido após o termo de compromisso.
O caso
Segundo o registro policial, a PM foi acionada por volta de
22h50 para atender à ocorrência no estabelecimento localizado na Rua Albino
Torraca, esquina com a Rua Ciro Melo. No local, clientes informaram aos
policiais que Manolo teria tentado beijar à força uma garçonete de 19 anos e
deixado o estabelecimento em um Hyundai Creta.
Durante patrulhamento, o veículo foi localizado e
abordado nas proximidades da Avenida Marcelino Pires. O homem apresentava
sinais de embriaguez, como odor etílico, dificuldade de equilíbrio e olhos
avermelhados. Ele apresentou resistência e os policiais tiveram de imobilizá-lo
usando a arma de choque.
Na busca realizada no veículo, os policiais encontraram a
arma municiada com 11 cartuchos no carregador e uma munição na câmara, estando
pronta para disparo. Manolo assumiu ser o proprietário da pistola.
Ainda segundo o registro policial, o documento de posse da
arma apresentado por Manolo havia vencido no dia 12 de agosto deste ano,
enquanto o certificado de registro do armamento permanecia regular.
Na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), a
funcionária do bar relatou que foi puxada pelo braço por Manolo e que ele se
aproximou dela de forma importuna e não consentida, chegando próximo ao seu
pescoço e simulando uma mordida.
Outro garçom também afirmou que Manolo teria pegado sua
mão à força e a golpeado duas vezes contra a boca de uma garrafa de cerveja, em
uma situação que provocou dor e constrangimento. As vítimas apresentaram vídeos
à Polícia Civil.
Apesar do ato contra a garçonete, a delegada plantonista deixou
de autuá-lo por importunação sexual e registrou o caso como perturbação do
trabalho alheio.
Na delegacia, Manolo se recusou a fazer o teste do
bafômetro. Os policiais confeccionaram um termo de constatação de embriaguez
com base nos sinais observados durante a ocorrência.
O boletim de ocorrência detalha que Manolo teria
mencionado seu sobrenome e afirmado ser sobrinho de Reinaldo Azambuja (PL), em
referência ao ex-governador de Mato Grosso do Sul e atual candidato ao Senado,
em uma suposta tentativa de obter tratamento diferenciado. A Polícia Militar
enquadrou a conduta, em tese, também como tráfico de influência.
“Você viu meu sobrenome? Azambuja! Tem certeza de
que vão fazer isso comigo? Sou sobrinho do Azambuja!”, teria dito, segundo
o registro policial.
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