O governo de Donald Trump intensificou a ofensiva contra o chamado “turismo de nascimento” nos Estados Unidos. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mais de 600 vistos foram revogados no último mês em ações contra estrangeiros suspeitos de viajar ao país com o objetivo de garantir a cidadania americana aos filhos nascidos em território americano.
Em publicação nas redes sociais, nesta quarta-feira, 12, Rubio afirmou que empresas especializadas estariam explorando as regras de imigração para facilitar a entrada de gestantes nos Estados Unidos. Segundo ele, essas organizações orientariam clientes a fraudar pedidos de visto, organizar viagens e hospedagens e até produzir documentos falsos.
“O Departamento de Estado utilizará todas as ferramentas disponíveis para desmantelar redes de turismo de nascimento e defender a integridade da cidadania dos Estados Unidos”, afirmou o secretário. Rubio também declarou que a cidadania americana “não está à venda”.
Para intensificar o combate à prática, o Departamento de Estado criou uma força-tarefa voltada à identificação de atividades suspeitas envolvendo portadores de vistos e ao desmantelamento das organizações que, segundo o governo, atuam nesse mercado.
Cidadania em disputa
Nos Estados Unidos, a 14ª Emenda da Constituição estabelece o princípio de cidadania por nascimento em território americano, conhecido como jus soli — “direito do solo”. A regra garante cidadania automática à maioria das pessoas nascidas no país, independentemente da nacionalidade dos pais.
O princípio, no entanto, está no centro de uma disputa promovida por Trump desde o início de seu segundo mandato. Na semana passada, o presidente assinou dois decretos voltados a restringir o reconhecimento da cidadania americana para determinados filhos de estrangeiros.
Um deles mira especificamente situações classificadas pelo governo como “turismo de nascimento”. O outro prevê restrições ao reconhecimento da cidadania de crianças nascidas nos Estados Unidos cujos pais estejam vinculados a missões diplomáticas estrangeiras.
As medidas fazem parte de uma agenda mais ampla de endurecimento da política migratória da administração Trump, que busca ampliar o controle sobre a entrada de estrangeiros e restringir mecanismos considerados, pela Casa Branca, como formas de exploração do sistema de imigração.
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