Em seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 22, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar “aniquilar” o Irã e a afirmar que o governo de Cuba “cairá”.
No início de sua fala, Trump disse que os EUA estão resolvendo conflitos “intratáveis que duram décadas”. “Não há exemplo melhor de um perigo que teve permissão para ganhar força, colocando o mundo em risco, do que o principal patrocinador do terrorismo, a República Islâmica do Irã”, afirmou.
O presidente afirmou que tentou fazer um acordo com Teerã após assumiu o cargo, no início do ano passado, mas que as autoridades iranianas recusaram.
“Mas tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que permita ao país se reconstruir e se tornar muito maior do que jamais foi, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente, sem nunca lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países?”, acrescentou.
Trump afirmou acreditar que um acordo pode ser fechado após as eleições legislativas americanas, que ocorrem em novembro, “porque não faz sentido para eles não fazê-lo”. “Eles estão esperando para ver como me saio nas eleições de meio de mandato.”
O presidente também falou que o regime cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, “cairá”, sem explicar como, após reiterar que o governo americano quer uma “mudança fundamental” na ilha.
“O regime comunista está sob intensa pressão, a mais intensa que já enfrentou”.
O presidente também anunciou que o governo americano passará a usar o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial” em sua comunicação, na expectativa de que “o mundo” siga o exemplo.
Segundo ele, o novo termo “soa muito melhor”. “É muito mais apropriado.”
O republicano falou ainda sobre cartéis de drogas. Para ele, todos os integrantes desses grupos devem ser “executados, exilados ou detidos como se fossem combatentes inimigos em um conflito armado”.
“Os cartéis são o Estado Islâmico (EI) do hemisfério” e, assim como os combatentes do EI, “devem ser executados, exilados ou detidos”, disse Trump.
O discurso de Trump ocorreu logo após o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro chefe de Estado a falar, que criticou os EUA ao condenar a guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, além de afirmar que a pressão americana sobre a América Latina não é bem-vinda. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”
Ao chegar à sede da ONU na manhã desta terça-feira, Trump reclamou da presença de jornalistas da emissora americana CNN. “Estou surpreso que a CNN esteja aqui fazendo a minha cobertura. Vocês não deveriam estar aqui”, disse. “Vocês disseram que não fariam a cobertura, não deveriam estar me cobrindo.”
Na semana passada, o presidente anunciou que proibiria o acesso de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico à Casa Branca como punição pela divulgação do que considera “notícias falsas”. Na segunda-feira, 21, os três veículos entraram com uma ação judicial contra o governo americano por causa da medida. No mesmo dia, as emissoras CBS, ABC, NBC e Fox News decidiram suspender a cobertura conjunta em vídeo da Casa Branca.
Agenda cheia
Trump tem uma série de compromissos diplomáticos previstos para esta terça-feira.
Entre eles estão reuniões com o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski.
Trump também participará de um evento com os líderes da Dinamarca e da Groenlândia para assinar um acordo que deve ampliar a presença militar americana no território semiautônomo dinamarquês.
O presidente também se reunirá com líderes e altos funcionários dos países do Conselho de Cooperação do Golfo – Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – e participará de um evento separado dedicado à América Latina e ao Hemisfério Ocidental.
Também estão previstas uma recepção para líderes que participam da Assembleia-Geral da ONU e uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, antes do retorno de Trump a Washington./Com informações da AP
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