
Enquanto o país celebra nesta quarta-feira o Dia Nacional da Saúde, data que convida à reflexão sobre prevenção, qualidade de vida e fortalecimento das políticas públicas, na Câmara Municipal de Campo Grande a data também serve de termômetro para medir uma disputa que marcou os últimos anos: a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) público, universal e gratuito contra tentativas de terceirização da gestão.
No centro desse embate está o vereador Landmark Rios (PT), que transformou a pasta da saúde em uma das principais bandeiras do mandato, não apenas cobrando melhorias pontuais, mas assumindo protagonismo na luta contra a privatização dos serviços na Capital.
O embate que travou a terceirização
O momento mais tenso dessa trajetória começou com um projeto de lei apresentado pelo vereador Rafael Tavares, que autorizava a Prefeitura a contratar Organizações Sociais (OSs) para administrar unidades da rede municipal, uma porta de entrada, segundo críticos, para a terceirização da gestão do SUS na cidade.

Landmark colocou o mandato na linha de frente do combate à proposta. Ao lado do Conselho Municipal de Saúde, presidido por Jader Vasconcelos, de servidores da saúde, usuários do SUS e movimentos sociais, o vereador organizou mobilizações e participou de audiências públicas defendendo a manutenção da gestão pública. O resultado dessa articulação coletiva foi a derrota do projeto na Câmara Municipal, barrando o avanço da terceirização em Campo Grande.
“A saúde é um direito de todos, não um negócio”, resume o vereador, para quem os problemas da rede pública não se resolvem com privatização, mas com mais investimento, valorização dos servidores e fortalecimento da atenção básica.

Dinheiro na ponta: R$ 9,6 milhões captados
Se de um lado o mandato resistiu à privatização, do outro buscou reforçar os cofres da própria saúde pública. Landmark confirmou a destinação de mais de R$ 9,6 milhões para a área na Capital, somando recursos de 2025 a novos compromissos firmados no início de 2026.
O montante reúne emendas de diferentes esferas: R$ 5 milhões do deputado federal Vander Loubet para compra de medicamentos, R$ 4 milhões articulados junto ao senador Nelsinho Trad também para a farmácia municipal, R$ 350 mil da deputada estadual Gleice Jane, parte destinada à Santa Casa, e R$ 300 mil do deputado estadual Pedro Kemp especificamente para a troca de compressores odontológicos, sucateados havia mais de um ano.
A articulação não parou nos limites do Estado. Em maio, Landmark levou as demandas da saúde campo-grandense até Brasília, em reunião com o ministro Alexandre Padilha, discutindo financiamento de Média e Alta Complexidade (MAC), custeio hospitalar e ampliação de leitos, pauta reforçada pelo argumento de que Campo Grande, como capital, absorve pacientes de praticamente todo o Mato Grosso do Sul.
Fiscalizador da própria gestão
Paralelamente à busca por recursos, o vereador manteve postura de cobrança sobre como o dinheiro já disponível estava sendo aplicado. Protocolou requerimento convocando o Comitê Gestor da Saúde para prestar contas na Câmara e cobrou explicações da Prefeitura após denúncias de que R$ 156 milhões teriam sido desviados da saúde para o pagamento de outras despesas.
Em outro episódio, recebeu em seu gabinete o presidente do Conselho Municipal de Saúde para tratar da falta de transparência nas contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e apoiar pedido de auditoria no Fundo Municipal de Saúde. Foi também em sessão convocada por Landmark que veio à tona um detalhe simbólico do atraso administrativo da pasta: a rede pública ainda controla estoques de medicamentos em cadernos, sem sistema informatizado.
Remédio em falta, servidor sem pagamento
Landmark também levou para o plenário o retrato do cotidiano de quem depende do SUS na cidade. Apresentou lista de remédios em falta nas unidades básicas, cobrou medidas emergenciais e denunciou atrasos no pagamento de fornecedores que ameaçavam suspender a entrega de medicamentos e insumos, chegando a apontar a falta de itens tão básicos quanto impressoras e álcool nas unidades de saúde.
Formação e participação social
A atuação também tem uma face formativa. Landmark participou do lançamento de um curso da Fiocruz em parceria com a UFMS voltado a agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e lideranças comunitárias, com 800 vagas para Campo Grande e Dourados, iniciativa voltada ao fortalecimento da atenção primária e da vigilância em saúde nos territórios.
“Seguiremos firmes na defesa do SUS”
Para o vereador, o Dia Nacional da Saúde reforça um compromisso que pretende manter como marca do mandato. “O Dia Nacional da Saúde reforça que cuidar das pessoas deve ser uma prioridade permanente. Nosso mandato seguirá firme na defesa do SUS, dos servidores públicos da saúde, dos usuários e dos investimentos necessários para garantir atendimento digno à população. Também continuaremos combatendo qualquer iniciativa de privatização ou terceirização da saúde pública em Campo Grande. A saúde é um direito de todos, não um negócio”, afirma Landmark.
O discurso resume a estratégia adotada nos últimos anos: fiscalizar de perto o dinheiro público, buscar mais recursos junto às bancadas federal e estadual e resistir, ao lado de conselhos e movimentos sociais, a qualquer avanço da iniciativa privada sobre a gestão da saúde municipal. Para o mandato, fortalecer o SUS em Campo Grande é, antes de tudo, investir na qualidade de vida e no futuro da própria cidade.

Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.
























