
Uma aeronave ligada ao empresário Valdir Zorzo,
proprietário do Grupo Dallas Alimentos, foi apreendida no Aeroporto
Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após
autoridades encontrarem uma carga ilegal de ouro avaliada em cerca de R$ 140
milhões. O minério estava dividido em quatro malas e totalizou 189,5 quilos, segundo
a pesagem oficial realizada após a apreensão.
A operação ocorreu na madrugada da última quarta-feira
(22), quando agentes da Naabol (Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos)
identificaram irregularidades durante a inspeção por raio-x. As malas, com
formato semelhante ao de caixas de ferramentas, despertaram suspeitas e foram
abertas, revelando a carga de ouro.
De acordo com a investigação, a aeronave executiva havia
partido de Campo Grande, fez uma escala técnica em Corumbá e seguiu para a
Bolívia. O plano, segundo as autoridades bolivianas, era transportar o ouro até
São Paulo (SP) e, posteriormente, enviá-lo para Dubai, nos Emirados Árabes
Unidos.
Um jovem de 22 anos, identificado como Adrián Lema Roca,
apresentou-se como responsável pelo despacho da carga e acabou preso em
flagrante. Em audiência de custódia, a Justiça boliviana converteu a prisão em
preventiva por 150 dias. A principal linha de investigação é de que ele atuava
apenas como “laranja” da organização responsável pelo transporte.
Em nota à imprensa, a defesa de Valdir Zorzo afirmou que
a aeronave presta serviços de táxi aéreo fretado e sustentou que o empresário
não possui qualquer relação com a carga apreendida nem com os contratantes do
voo. No entanto, o registro do avião consta como não autorizado para este tipo
de operação.
A reportagem do Campo Grande News, entrou em contato
com o advogado do Grupo Dallas e aguarda o retorno.
Divergência
Além da prisão de Adrián, o juiz Fernando Daniel Mejía
Gallardo determinou uma nova pesagem do minério após surgir uma divergência
entre os registros oficiais. Segundo a decisão, na pista do aeroporto a carga
teria sido inicialmente estimada em 211 quilos, mas, ao chegar à Alfândega e à
Polícia, foram contabilizados apenas 189,5 quilos — uma diferença de 21,5
quilos.
A inconsistência passou a integrar a investigação
conduzida pelas autoridades bolivianas. O diretor da FELCC (Força Especial de
Luta Contra o Crime), coronel Jhonny Coca, admitiu falhas no procedimento
policial.
Inicialmente, a corporação informou apenas a prisão de
Adrián. No entanto, a informação divulgada depois era de que outras cinco
pessoas também haviam sido detidas durante a operação, entre elas três
funcionários da Alfândega, um primo e um amigo do jovem. Todos foram liberados
ainda na madrugada e responderão em liberdade após serem intimados para prestar
depoimento.
Segundo Coca, a omissão ocorreu por erro do agente
responsável pela comunicação da ocorrência. “Ao chegar ao local, me
informaram apenas sobre um detido e quatro malas apreendidas; não me avisaram
dos cinco detidos. Transmiti a informação recebida ao diretor nacional e ao
comando. Houve um erro procedimental do agente encarregado ao omitir esses
dados”, declarou.
As investigações apontam ainda que os envolvidos
apresentaram uma autorização aduaneira contendo um QR Code falso para tentar
justificar o transporte do ouro.
Conforme divulgado pela imprensa boliviana, o presidente
da Alfândega Nacional chegou a afirmar, durante uma ligação feita na madrugada
da apreensão, que o transporte era legal. A versão, entretanto, foi desmentida
pelo diretor do Serviço Nacional de Registro e Comercialização de Minerais e
Metais, Armando Magne, que descartou a autenticidade da autorização
apresentada.
O piloto da aeronave, que seria funcionário do grupo
Dallas, não foi preso e, após a realização das diligências, o avião foi
liberado e retornou ao Brasil. A investigação segue em andamento para
identificar os responsáveis pela origem do ouro e pela organização da operação
internacional de transporte clandestino.
De acordo com a emissora boliviana Unitel, a empresa
Emporio Dorado Sociedad de Responsabilidad Limitada em La Paz, está sendo
investigada como dona do ouro apreendido. Ela é registrada em nome de dois
estudantes bolicianos e teria feito duas operações comerciais de ouro para a
Asian Gold LCC, que fica em Dubai e seria a compradora do minério. A suspeita é
de que a empresa boliviana seja usada como negócio de fachada para o esquema de
contrabando de ouro.
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