O novo tarifaço anunciado pelo governo Trump na noite desta quarta-feira, 15, impactará mais de 11 bilhões de dólares em exportações que o Brasil despacha para os Estados Unidos. O valor representa 29% dos 37,7 bilhões de dólares que o país exportou ao mercado americano no ano passado. Quando se considera o total de exportações do país em 2025 – 348 bilhões de dólares -, o impacto potencial sobre a balança comercial cai para 3%. A estimativa é da Amcham, a câmara que incentiva o comércio bilateral entre os dois países. Segundo a entidade, a tarifa de 25% será aplicada a mais de 3 000 itens da pauta comercial brasileira.
A sobretaxa entrará em vigor a partir de 22 de julho. “Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norteamericanos”, afirma a Amcham em nota enviada à imprensa.
As sanções são o resultado das investigações conduzidas pelo governo americano, amparado pela Seção 301 de sua lei de comércio, e que concluíram que certas práticas brasileiras estariam prejudicando as empresas dos Estados Unidos. Entre elas, estariam a leniência de Brasília com a pirataria e o contrabando, a falta de proteção à propriedade intelectual, a adoção de tarifas preferenciais desleais e a concorrência desleal que o Pix, o sistema de pagamento instantâneo criado e mantido pelo Banco Central, acarretaria às bandeiras de cartão de crédito americanas.
A Amcham ressaltou que, embora as negociações entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca não tenham gerado resultados positivos até o momento, o diálogo continua sendo o melhor caminho para a remoção da sobretaxa. “Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Ao contrário das medidas anunciadas em abril do ano passado, que impuseram uma sobretaxa a todos os produtos e impactaram diretamente a economia americana, dado o elevado grau de dependência que alguns setores têm de insumos brasileiros – como o suco de laranja, o café e as carnes -, o USTR, órgão americano responsável por administrar as sanções, estabelece mais de 2 100 exceções desta vez.
Entre os produtos beneficiados, estão aeronaves, café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e terras raras. Já entre os principais itens taxados, estão o etanol, máquinas e equipamentos, calçados e manufaturas em geral.
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