O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar humanitária ao pastor Márcio Poncio, detido no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne no início deste mês. A decisão foi assinada neste sábado, 11, substituindo a prisão preventiva. O pastor, pai da deputada federal Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), terá de usar tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas cautelares, como entregar o passaporte à Justiça e não usar redes sociais.
Moraes levou em consideração o estado de saúde de Poncio, portador de retocolite ulcerativa grave, uma doença inflamatória intestinal crônica, desde 2013. No recurso, a defesa anexou um relatório médico assinado por Carlos Walter Sobrado Júnior, coordenador do Ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade de São Paulo (USP). O ministro também reconheceu o argumento de que a esposa do investigado, Simone Poncio, de 50 anos, leva uma gravidez de alto risco e precisa do apoio do marido.
A ação da Polícia Federal (PF), deflagrada em 2 de junho, teve como objetivo “aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho (Adilsinho) e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”. Além de Poncio, foram alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar.
O pastor foi preso em um flat na praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, enquanto Bacellar, que já está preso, foi transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. Adilsinho, por sua vez, já estava em um presídio federal de segurança máxima.
A Operação Unha e Carne foi iniciada no ano passado para apurar uma suposta estrutura responsável por repassar informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho, comprometendo ações policiais e favorecendo integrantes da organização criminosa. Segundo a PF, os vazamentos teriam permitido a destruição ou ocultação de provas.
Quem é Márcio Poncio
Nascido no Rio de Janeiro, Poncio construiu sua carreira no setor do tabaco antes de ganhar projeção como líder religioso e influenciador digital. A atividade lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”, embora, nos últimos anos, sua imagem tenha passado a ser mais associada à forte presença da família nas redes sociais.
Nas redes sociais, onde reúne mais de 500 mil seguidores, ele se apresenta como “servo de Deus, membro da Igreja da Nuvem, patriarca da família Poncio, empresário e suplente deputado Federal”. Em 2022, ele disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, mas terminou a eleição como segundo suplente, obtendo cerca de 33 mil votos.
Três anos depois, anunciou a intenção de concorrer à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em uma eleição suplementar convocada após a cassação do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). Apesar do anúncio, sua candidatura não foi adiante, e o pleito foi vencido por Jonas Dico (Podemos).
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