
Em votação acelerada, a Comissão de Assuntos Econômicos e o Plenário aprovaram os PRSs 22 e 23, que autorizam a União a contratar R$ 4,3 bilhões em financiamentos internacionais junto ao Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, e à Agência Francesa de Desenvolvimento.
O dinheiro vai abastecer projetos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, uma das áreas mais sensíveis da Esplanada para o MDB e para o bloco regionalista do Norte e do Nordeste. Na prática, são recursos para infraestrutura urbana e segurança hídrica — exatamente o tipo de obra que conversa diretamente com prefeitos, governadores e bases eleitorais de senadores.
O detalhe político está no relógio. Empréstimos externos com garantia da União costumam atravessar uma maratona de pareceres, exigências fiscais e negociações na CAE. Desta vez, a tramitação ganhou velocidade de véspera de recesso. O relator da matéria foi Renan Filho (MDB-AL), nome de peso do partido no Senado.
Nos bastidores, a operação foi lida como um amortecedor político. Ao liberar quase R$ 4,5 bilhões para irrigar obras regionais antes das férias parlamentares, o Planalto ajudou a baixar a temperatura no Senado justamente no momento em que precisava conter novas explosões na pauta fiscal. Em Brasília, às vezes, a melhor trava contra uma bomba é abrir a torneira certa.
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