Tanto quanto de craques como Mbappé, Yamal, Vozinha ou Harry Kane, para os brasileiros essa é a Copa das bets. Uma prática ilusória, viciante e perigosa tem sido anunciada a todo momento nas emissoras de televisão, streamings e redes sociais.
Jogadores como Vini Júnior, Neymar, ou aposentados como Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, além de ex-jornalistas e influencers, parecem onipresentes no convite ao jogo. A promoção da droga eletrônica está à vista de gente de todas as idades, mesmo com eufemismos ditos por seus promotores como: “joguem com responsabilidade”.
Um dos argumentos da liberação das apostas é que a alternativa seria a prevalência de empresas ilegais, que representam até hoje cerca de 40% do mercado, segundo estimativas. Dentro dos marcos legais, as apostas ganham transparência. Recursos que estariam na contravenção passam para o Estado por meio de impostos.
A liberação da publicidade, inclusive, seria um estímulo para fortalecer as casas que preferiram legitimar seus negócios em detrimento das ilícitas. Mas todos esses argumentos, entretanto, não podem ser utilizados para liberar o mercado de drogas?
Assim como as drogas, as apostas podem destruir vidas e famílias. Há uma diferença de grau porque, em tese, não leva à morte de maneira tão evidente. O processo compulsivo que movimenta ambas as atividades, entretanto, tem seus processos semelhantes.
Entre as consequências da ludopatia, o vício em jogos, além do endividamento, há a queda no rendimento no trabalho, depressão e alto risco de suicídio. Reportagem do blog do Fausto Macedo, deste Estado de S. Paulo, mostra que as bets legais podem ser utilizadas para lavagem de dinheiro do tráfico.
Por trás da liberação das Bets pode haver, sim, as alegações racionais, mas também hipocrisia. Muitos ganham com isso. A Receita obtém aumento de arrecadação em um país com problema crônico para equilibrar as contas. A publicidade irriga times de futebol, sub e verdadeiras celebridades e meios de comunicação com verbas bilionárias. Políticos poderosos recebem mimos das empresas, conforme revelações que aparecem de maneira constante na imprensa.
Um liberal ortodoxo acredita que o Estado não deve interferir no que as pessoas fazem com seu dinheiro. Se quiser se endividar ou se drogar até morrer pelo vício, foi uma decisão individual dele. O chamado livre-arbítrio teria preponderância neste tipo de questão.
É uma tese que é difícil de ser consensual, ao contrário. Por exemplo, pessoas, em tese, em forte grau de pobreza, dependentes do Bolsa Família, hoje tentam aumentar seu orçamento por meio das apostas. Na prática, estamos presenciando uma espécie de laboratório das drogas liberadas.
Vale a pena ou precisaremos, muito em breve, no mínimo, apertar a regulação?
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