A primeira versão brasileira de caneta emagrecedora à base de semaglutida, começa a chegar em farmácias de Mato Grosso do Sul a partir de julho. A distribuição começa por estabelecimentos de Campo Grande e, na sequência, segue para as prateleiras do interior do Estado, incluindo Dourados.
A previsão foi repassada ao Dourados News pela fabricante do medicamento que recebeu o nome de Ozivy. A EMS é uma indústria farmacêutica com sede no interior de São Paulo, que ficou conhecida por popularizar os genéricos no Brasil, o que não é o caso da caneta.
O medicamento é classificado como novo e é o primeiro produzido no país após quebra de patente pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Já o princípio ativo é o mesmo do Ozempic, nome comercial utilizado pela Novo Nordisk, que teve o direito exclusivo de fabricação expirado em 20 de março deste ano. A multinacional de origem dinamarquesa tem um complexo fabril em Minas Gerais.
PREÇO DA BRASILEIRA
Um dos aspectos que chama a atenção na caneta brasileira é especialmente o preço. De acordo com a EMS, será comercializada a partir de R$ 452 nas farmácias, em apresentação utilizada em etapas inicias do tratamento. Depois da fase de adaptação, quando o paciente evolui para uma dose de manutenção de 1mg, o valor pode ser maior, variando de acordo com cada fase.
A indústria ainda criou um plano para quem fizer cadastro em um programa do laboratório pela internet ou com ajuda presencial nos balcões de farmácias que já tem o produto. O pacote que corresponde aos três primeiros meses de tratamento custa R$ 863,23, o equivalente a R$ 287 por mês. Após essa fase, o valor sobe para R$ 498 por caneta de 1mg.
Antes da brasileira, as únicas apresentações de caneta de semaglitida nas farmácias do país tinham valores próximos a R$ 1 mil, para etapas inicias de tratamento. Já no caso da tizerpatida, princípio ativo do Mounjaro que também é um emagrecedor conhecido, o preço é ainda mais elevado, a partir de R$ 1,4 mil.
CONCORRÊNCIA PARA O PY
Diante desse cenário, muitos sul-mato-grossenses tem se arriscado para atravessar a fronteira em busca de pagar mais barato por emagrecedores em estabelecimentos paraguaios que, além de oferecer preços mais atrativos, ainda não exigem receita médica para a compra. A importação de muitos desses medicamentos pode configurar crime, já que boa parte das marcas não tem registro oficial no Brasil e, portanto, o ingresso é vetado pela Anvisa.
Isso sem contar aqueles que fazem contrabando do produto para comercializar clandestinamente, seja para pessoas próximas ou até oferecendo em redes sociais, versões em caixas fechadas ou por ampolas em separado.
Para se ter ideia da diferença de preço, o Dourados News teve acesso a tabela de uma farmácia do país vizinho. No local, a semaglutida pode ser adquirida a partir de R$ 387 e a tirzepatida R$ 391, dependendo apresentação e laboratório.
DESAFIO DE ENFRENTAR A OBESIDADE
Aprovada pela Anvisa para tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, a Ozivy também promete ser utilizada no combate à obesidade que se tornou um problema de saúde pública. Isso porque estudos clínicos reconhecem o uso dos análogos de GLP-1, como eficazes para o controle do peso.
Em Dourados, por exemplo, dados recentes da Sems (Secretaria Municipal de Saúde) apontam que 70,8% da população adulta possui excesso de peso e 38,5% está obesa. A condição ainda acomete crianças, pelo menos 27% daquelas que tem entre 5 e 10 anos estão com sobrepeso ou obesidade, além de 34% dos adolescentes que enfrentam a mesma condição.
ONDE JÁ ESTÁ A CANETA
Diferente do Paraguai, no Brasil a venda de canetas emagrecedoras é feita exclusivamente com prescrição médica e retenção de receita. No caso da Ozivy, ainda é necessário manter o medicamento na geladeira, a uma temperatura entre 2°C e 8°C para preservar a estabilidade.
A caneta brasileira já está em farmácias de 21 capitais, incluindo todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste e parte do Norte e Centro-Oeste, onde começaram a chegar essa semana. Também tem opções disponíveis em plataformas de e-commerce que entregam nessas e diferentes localidades que ainda não tem produto em estabelecimentos físicos.
APRESENTAÇÃO DA OZIVY
“Neste primeiro momento, a EMS disponibiliza duas apresentações de Ozvy. A primeira é destinada às etapas iniciais do tratamento, permitindo a administração das doses de 0,25 mg e 0,5 mg, conforme orientação médica. A segunda é destinada à fase de manutenção na dose de 1 mg. A apresentação contendo duas canetas para manutenção na dose de 1 mg será comercializada a partir de julho”, esclarece a fábrica.
O complexo industrial da companhia em Hortolândia (SP) tem capacidade de produzir 40 milhões de canetas por ano. Para implantação da plataforma de peptídeos que permite a ampliação de atividades com a comercialização do Ozivy, foi investido mais de R$ 1,2 bilhão na fábrica.
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