O presidente Donald Trump disse, em entrevista na tarde deste domingo, 14, que o acordo que fechou com o Irã garantirá, em última instância, que o Estreito de Ormuz seja “permanentemente livre de pedágios” e argumentou que, apesar das objeções do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, salvou Israel de uma aniquilação nuclear.
Trump também insistiu que, caso o Irã não chegue a um acordo nuclear definitivo com os Estados Unidos — um processo que, segundo seus auxiliares, deve começar na sexta-feira, 18, na Suíça — ele retomará os ataques militares contra Teerã ou transformará os Estados Unidos no “guardião do Oriente Médio” em troca de 20% das receitas da região.
Em uma conversa telefônica de 28 minutos iniciada por Trump a partir da residência da Casa Branca, seguida de uma breve ligação complementar, o presidente afirmou que sua decisão de atacar o Irã no fim de fevereiro, bem como o subsequente bloqueio naval aos portos iranianos após Teerã fechar o estreito, remodelaram o Oriente Médio em favor dos Estados Unidos.
Falando em seu 80º aniversário, enquanto familiares podiam ser ouvidos ao fundo reunindo-se para um jantar comemorativo, ele elogiou dois líderes autoritários — os presidentes Xi Jinping, da China, e Vladimir V. Putin, da Rússia — por ajudarem a viabilizar o acordo, e criticou duramente Netanyahu por realizar ataques que quase comprometeram a negociação final.
“Ele é um sujeito muito difícil”, disse Trump sobre o primeiro-ministro israelense. “E, para ser sincero, ele deveria estar muito agradecido a nós por fazermos isso. Porque, se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas.”
Embora o texto do acordo ainda não tenha sido publicado, Trump pareceu descrever concessões iranianas que o país ainda não fez ou que foram deixadas para negociações posteriores. O memorando de entendimento, por exemplo, apenas suspende a cobrança de tarifas no estreito por 60 dias e promete, depois disso, um diálogo regional sobre o futuro da passagem. O Irã nunca havia cobrado tarifas antes da guerra, de modo que Trump está essencialmente celebrando um retorno ao status quo anterior ao conflito.
Trump comparou repetidamente seu novo memorando de entendimento ao acordo firmado em 2015 entre o presidente Barack Obama e a liderança iraniana, argumentando que seu acordo garantirá que o Irã “não possa desenvolver nem adquirir uma arma nuclear”. O Irã já havia concordado com isso ao ratificar o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1970 e reafirmou esse compromisso na primeira página do acordo da era Obama.
Ao longo dos últimos três meses de negociações, lideradas pelo enviado especial do presidente, Steve Witkoff, e por seu genro, Jared Kushner, os iranianos insistiram que jamais abririam mão do direito de enriquecer urânio previsto nesse tratado. Trump disse que ainda havia negociações em curso sobre a possibilidade de o Irã suspender o enriquecimento por 20 anos — e sugeriu que poderia aceitar uma suspensão de 15 anos —, mas afirmou que o país ficaria permanentemente limitado a enriquecer urânio em níveis baixos, que “jamais poderiam ser utilizados pelos militares”.
O acordo do governo Obama continha a mesma exigência. No entanto, o Irã passou a enriquecer urânio em níveis muito mais elevados — incluindo urânio próximo ao grau necessário para uma bomba, enriquecido a 60% de pureza — depois que Trump abandonou aquele acordo em 2018.
Ao longo da conversa, o presidente demonstrou estar em clima de celebração, falando sobre o próximo evento do Ultimate Fighting Championship (UFC) que será realizado no gramado sul da Casa Branca e sobre a possibilidade de a chuva interrompê-lo.
“Isso acontece em tempos de guerra”, afirmou.
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