Criminalistas de peso que conversaram com a Coluna do Estadão dizem haver cinco motivos que obrigam a rejeição dos pedidos de delação premiada de Daniel Vorcaro até o momento. Caso contrário, ressaltam, seria um endosso à desmoralização da Justiça.
Nesta quinta-feira, 11, a Polícia Federal não aceitou a segunda proposta apresentada pelo banqueiro, mas ainda falta manifestação da Procuradoria-Geral da República e decisão final do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.
A avaliação dos investigadores da Polícia Federal foi que as informações apresentadas pelo dono do Banco Master não traziam novidades diante das provas já colhidas na investigação, como do próprio telefone celular de Vorcaro.
Veja os cinco motivos para a rejeição da delação na visão de criminalistas
Os criminalistas consultados apontaram cinco razões para argumentar que não faria sentido a proposta prosperar:
- A personalidade de Vorcaro: Ele se recusa a assumir que praticou crimes. Na avaliação dos advogados, o empresário “normalizou” de tal forma seus atos que, psicologicamente, blindou-se na posição de vítima, o que inviabiliza o princípio de contrição e assunção de culpa exigido em uma colaboração.
- A recusa ao cárcere: O dono do Banco Master não aceita a perspectiva de cumprir pena em regime fechado. No entanto, por se tratar do que vem sendo apontado como o maior escândalo financeiro do País, os juristas afirmam que, mesmo que ele consiga deixar a prisão preventiva atual, uma condenação futura com pena de prisão será inevitável.
- Resistência à perda patrimonial: O banqueiro demonstra resistência em devolver a totalidade dos valores e “ficar no zero” financeiramente após o processo.
- Incapacidade de reparação do dano: A legislação exige a reparação dos prejuízos causados. Diante de um rombo estimado em mais de R$ 60 bilhões, os advogados questionam a viabilidade real de onde o banqueiro retiraria recursos dessa magnitude para ressarcir os cofres públicos e os lesados.
- Omissão de nomes de peso: Há uma percepção clara de que Vorcaro blindou figuras influentes da política e do próprio Poder Judiciário. Uma delação que poupa o topo da pirâmide de influência perde sua eficácia e utilidade para o Estado.
As percepções manifestadas por esses advogados credenciados em grandes processos criminais no País são acompanhadas por alguns integrantes da magistratura e da Polícia Federal.
Além disso, ressalta um dos advogados que já atuou em casos financeiros de grande repercussão nacional nas últimas décadas, “os Vorcaros acreditam mais em relações estabelecidas em Brasília que em defesa técnica”.
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