O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deu o primeiro grande depoimento sobre o caso Master ao participar da CPI do Crime Organizado no Senado. Já o ex-presidente Roberto Campos Neto faltou à sessão e perdeu mais uma oportunidade de jogar luz sobre o crescimento acelerado do banco durante a sua gestão à frente da autoridade monetária. O ministro do STF Alexandre de Moraes, por sua vez, já não tem condições de permanecer no cargo sem manchar a reputação da Corte.
O silêncio de Campos Neto é ruim porque, além de deixar lacunas sobre o entendimento do caso, abre espaço para a exploração política do escândalo. Bolsonaristas culpam o governo Lula, enquanto petistas culpam o governo Bolsonaro. Nesta quarta-feira, 8, Lula repetiu em entrevista ao portal ICL que Campos Neto colocou o “ovo da serpente” que permitiu o surgimento da crise.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 Foto: Werther Santana/Estadão
Em Brasília, o que se sabe é que o PT vem pressionando Galípolo para empurrar a conta para o seu antecessor e assim permitir que isso vire munição para a campanha eleitoral. O que ele disse à CPI, ao contrário, é que não há indícios de malfeitos por parte de Campos Neto e que o Master era um banco pequeno demais para chamar a atenção da presidência do órgão. Por isso, escalões mais baixos tocaram a supervisão do banco, mas isso foi dificultado pela cooptação de dois servidores do BC pelo Master.
As investigações mostram que o esquema do Master era tão sofisticado quanto inovador. Não há notícias na história recente do País de um banqueiro que tenha irrigado tantas contas bancárias de autoridades e pessoas notórias das mais diversas áreas, incluindo ex-ministros de vários governos, o ex-presidente Michel Temer, além de deputados e presidentes de partido, para prestação de consultorias.
O caso envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes é o mais problemático, a ponto de Lula alertar para ele não jogar fora a biografia. No mesmo dia em que Galípolo negou que tenha conversado com Moraes sobre o banco, documentos da CPI comprovaram que o escritório da mulher do ministro recebeu R$ 80 milhões do Master em dois anos e ele manobrou para tentar limitar o instrumento da delação premiada.
Os serviços prestados que justifiquem a quantia permanecem um mistério. Por isso, as suspeitas são de que o objetivo era transformar Moraes em uma espécie de consultor informal do Master, a ponto de pressionar Galípolo, passar informações sobre processos e, quem sabe, tomar decisões a favor do banco. Que o dinheiro entrou por um lado, está comprovado. O restante continua sob a névoa da dúvida.
Galípolo explicou, Campos Neto se calou, e Moraes deveria pedir aposentadoria.
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