Funcionários da empresa Produserv Serviços estariam levando calote e ficando com o nome sujo após a contratação de empréstimos consignados dentro da prestadora de serviços, que recebe mensalmente mais de R$ 2 milhões da prefeitura municipal de Campo Grande.
A empresa tem sede em Curitiba (PR), mas atua na capital sul-mato-grossense como prestadora de serviços de limpeza para a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), tendo mais de 400 trabalhadores contratados. O contrato com a prefeitura foi firmado no dia 1° de abril de 2020 e, desde então, tem sido renovado.
De acordo com relatos encaminhados por vários funcionários ao TopMídiaNews, há alguns anos não tiram férias porque ‘não é permitido’ pela sede. Além disso, eles têm ficado no prejuízo, já que a empresa está descontando o valor do empréstimo do salário e não está repassando para o banco.
“Há alguns anos eles ofereceram o empréstimo e, como precisávamos, várias de nós pegamos. Mas, desde janeiro de 2025, não estão pagando o banco e nosso nome foi para o SPC/Serasa”, a afirmação feita por uma funcionária é comprovada por holerites das vítimas e conversas com o banco encaminhadas para a reportagem.
De uma trabalhadora, está sendo descontado mensalmente R$ 471,94. Por conta do atraso no pagamento do banco, os contratantes do empréstimo passaram a receber ligações de cobranças quase que diárias.
O outro problema, que eles classificaram como ‘situação análoga à escravidão’, é a falta de férias. Em alguns casos, funcionários com mais de 6 anos de casa tiraram apenas dois descansos anuais.
“A represália é grande, mas, apesar disso, não temos do que reclamar dos supervisores de Campo Grande. O problema está em Curitiba. Não temos direito nem a férias, porque eles não permitem, sempre tem uma desculpa. São 400 mulheres e homens, arrimo de família, sem as mínimas condições de responsabilidade da empresa. Até quando vamos trabalhar análogo à escravidão?”, questiona a trabalhadora.
Além disso, existem ainda outros agravantes que dificultam ainda mais a vida dos funcionários, sendo o atraso no pagamento do ticket alimentação e do vale-transporte, essenciais para o deslocamento de vários servidores.
Contrato milionário com a prefeitura
Em abril de 2020, a Produserv e o Executivo Municipal celebraram, por meio da Sesau, um contrato de R$ 17.198.823,12 para prestação de serviços de limpeza, conservação e higienização nas unidades de saúde, centros de referência e áreas administrativas da Secretaria Municipal de Saúde, incluindo a lavagem interna e externa de viaturas de transporte de pacientes, bem como serviço de controle de vetores e pragas urbanas.
Com o passar dos anos, os valores foram sendo reajustados. Na última manutenção do contrato, realizada em março de 2025 para que os trabalhos fossem executados até 1° de abril de 2026, o valor global do contrato já era de R$ 34.471.062,93.
“O pior é que, enquanto não estamos tendo o básico, eles continuam recebendo dinheiro da prefeitura e praticamente nos roubando. Alguns começaram a ser mandados embora e estão aproveitando a oportunidade para procurar algo melhor”, finaliza.

Campo Grande aparece como principal cliente da empresa no site (Reprodução/Print site Produserv)
Por meio de nota, a empresa afirmou que segue todos os padrões de um contrato CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com seus colaboradores. Confira na integra:
“A empresa informa que cumpre fielmente todas as obrigações trabalhistas relativas aos seus colaboradores, em estrita observância ao disposto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como às Convenções Coletivas de Trabalho aplicáveis a cada categoria, realizando os pagamentos e demais encargos de forma tempestiva, dentro dos prazos legalmente estabelecidos.
Ademais, cumpre destacar que não há, até o presente momento, qualquer registro de descumprimento contratual perante o ente contratante.”
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