
O delegado e ex-vereador de Campo Grande Wellington de
Oliveira que ministra aulas na Academia de Polícia Civil, está sendo acusado de
assédio sexual, falas ofensivas e misóginas contra alunas que fazem o curso na Acadepol
após serem aprovadas no concurso público de 2025.
De acordo com o portal Midiamax, nas oito salas em que o delegado
Wellington ministra aulas, houve denúncia das alunas de assédio sexual e moral.
“Ele perguntou quanto tempo ficaria em um motel com alguém”, disse uma das
alunas, revoltada.
Em outra ocasião, Wellington teria dito às alunas que
teriam ‘cara’ para serem ótimas “prostitutas infiltradas”. “A revolta com esta
situação é muito grande”, disse um aluno, que não quis se identificar. O
delegado chegou a perguntar para uma das alunas sobre gostos sexuais e
preferências com o marido.
Conforme o site da Capital, além das denúncias de assédio
sexual, teria ocorrido assédio moral. “Se não estão gostando, vão reclamar, mas
não vai dar em nada, porque faço parte do Conselho da Polícia”, teria dito o
delegado. Wellington de Oliveira ainda faz parte da Ouvidoria da Polícia Civil
e integra o Grupo Técnico criado após o feminicídio da jornalista Vanessa
Ricartes.
A denúncia de assédio foi feita à direção da Acadepol,
que a enviou para a Corregedoria. Uma ata foi produzida e assinada por todos os
“xerifes” — que são os líderes de sala — como também pelas vítimas e por outros
alunos, ouvidos como testemunhas.
Em nota ao Midiamax, a Polícia Civil confirmou as
denúncias e relatou que o delegado já concluiu as aulas. Além disso, a
Corregedoria já apura a situação. Na próxima semana, testemunhas e vítimas
devem prestar esclarecimentos.
O escândalo é mais um a marcar a gestão do delegado-Geral
da Polícia Civil, Lupérsio Degerone Lucio, que acumula críticas por acúmulo de inquéritos
sem solução, principalmente envolvendo violência contra mulheres, e por
seguidos casos de envolvimento de policiais civis com o crime organizado,
alguns inclusive promovidos mesmo após serem alvos de operações.
Delegado nega
Em contato por telefone com a reportagem do site, o delegado
Wellington de Oliveira negou as acusações. “Bom, primeiro que, em hipótese
alguma, aconteceu isso. Eu era professor porque acabaram já as disciplinas da
academia, de teoria geral de investigação criminal, e essa teoria, essa
disciplina, ela visa principalmente ensinar o policial, o novo policial, a
pensar de forma lógica, com método hipotético, dedutivo, e os exemplos, eles
são de cenários reais, são simulações do que acontece na nossa sociedade no dia
a dia“, pontuou.
Ele continua: (alguns casos) “envolvem temas sensíveis,
mas em hipótese alguma houve assédio sexual ou moral em relação a ninguém. Pode
ser que algum aluno tenha se sentido ofendido com algum exemplo e tenha feito
essa denúncia na academia, que está sendo apurada agora pela Corregidoria Geral
e eu vou aguardar as apura dentro do devido processo legal“.
“O que aconteceu foram recortes e falas de exemplos
descontextualizados, fragmentados de exemplos que eu dei em sala de aula para
justamente esclarecer a doutrina, os cenários que a gente acontece no dia a
dia. Para você ter uma ideia, faz 20 anos que eu estou a mesma disciplina na
academia de polícia e nunca nós tivemos problema em relação a isso“, afirmou o delegado.
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