Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort: ‘Sócio? Olha minha casa’
Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão
Os dois resorts da rede Tayayá, localizados no Paraná, que tinham entre os sócios uma empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, são avaliados em mais de R$ 400 milhões.
Toffoli é sócio anônimo da empresa Maridt, que é dirigida por seus dois irmãos e tinha participação nos resorts Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, e Tayayá Porto Rico Residence & Resort. A empresa vendeu metade de sua participação societária de R$ 6,6 milhões na incorporadora e na administradora do Tayayá Aqua Resort para o fundo Arleen que, como revelou o Estadão, tinha como principal cotista um outro fundo de um único sócio, o pastor Fabio Zettel, o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Procurada, a rede não se manifestou.
Os R$ 3,3 milhões não representam o tamanho real do negócio. Esse é o dinheiro que o fundo usou para comprar sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. Mas o Arleen não comprou só essa participação (ver mais abaixo).
Após a Polícia Federal ter entregado um relatório ao STF sobre menções ao nome de Toffoli encontradas no telefone celular do banqueiro, que incluem diálogos entre os dois, o ministro divulgou uma nota, na quinta-feira, 12, assumindo esses negócios. O ministro não revelou a participação total que sua família chegou a ter nos projetos.

Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro Foto: Taba Benedicto/Estadão
Documento obtido pelo Estadão — relativo a um processo no Poder Judiciário do Paraná, com uma lista completa de cotistas do Tayayá Porto Rico, que ainda não teve a sua construção terminada — mostra que o projeto conseguiu levantar R$ 220,2 milhões com a venda de todas as suas cotas de casas e apartamentos divididos em três edifícios. Esse novo projeto é considerado de mesmo porte que o empreendimento anterior, o Tayayá Aqua Resort, também estimado por pessoas ligadas ao projeto e corretores da região em cerca de R$ 200 milhões de valor, com cotas de R$ 750 mil para compras de casas.

O resort mais antigo, do qual Toffoli é frequentador, se hospedando em uma casa mais reservada, e onde recebe personalidades e amigos, fica em Ribeirão Claro, cidade de 12 mil habitantes às margens da Represa Chavantes, na fronteira entre o Paraná e São Paulo.
Tem piscina aquecida, praia artificial, passeios de lancha, bares e restaurantes. Conta com apartamentos em um prédio principal, chalés vendidos por imobiliárias por mais de R$ 2 milhões e um condomínio de casas de luxo chamado Ecoview, onde Toffoli se hospeda.

Reprodução de vídeo do acompanhamento da obra do Tayayá Porto Rico em maio/25 Foto: Reprodução tayayaportorico via Instagram
Já o projeto Tayayá Porto Rico leva esse nome por se localizar próximo do município de Porto Rico, às margens do Rio Paraná, em uma região de praias de água doce conhecida pelo apelido de Caribe Paranaense. Fica na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul. Este projeto luxuoso ainda está em obras, e teve entre os seus sócios o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho.
Nota do ministro
Na nota, Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar e que ele faz parte do quadro societário dela, mas que a administração fica a cargo de seus familiares. Ele argumentou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, não há impedimento para que juízes integrem o quadro societário e recebam dividendos de empresas, desde que não exerçam a administração.
Dias Toffoli admitiu ser sócio da Maridt Foto: Wilton Junior/Estadão
“A referida empresa foi integrante do grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição”, diz a nota.
O ministro afirmou também que assumiu a relatoria do inquérito sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) somente quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro. Disse ainda que desconhecia o gestor de um dos fundos que negociou com a Maridt, que seria justamente o cunhado de Vorcaro. Na quinta-feira, 12, Toffoli deixou a relatoria do caso.
“Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve nenhuma relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu nenhum valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, diz a nota.
O Arleen passou a ser sócio de um trio de empresas dos irmãos e de um primo de Toffoli em setembro de 2021, todas acionistas dos resorts no Paraná. Segundo os documentos obtidos pelo Estadão, foi neste período que o cunhado de Vorcaro aportou R$ 20 milhões nos fundos, que investiram a mesma cifra no Tayayá, tornando Zettel parceiro de negócios da família Toffoli nesse empreendimento.
As empresas que receberam o aporte dos fundos de Zettel são a Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos, donas do resort e controladas pelo primo do ministro, Mario Umberto Degani. As duas tinham como sócia a Maridt.
Além de investir os R$ 20 milhões nas empresas, o fundo Arleen foi registrado formalmente como sócio delas. Segundo documentos da Junta Comercial do Paraná, o fundo comprou metade da participação societária da empresa dos irmãos do ministro na Tayayá e na DGEP, que era de R$ 6,6 milhões.
O fundo e a família Toffoli foram sócios das duas empresas até 2025. Entre os meses de fevereiro e julho, os irmãos e o primo do ministro e o fundo de investimentos se retiraram da sociedade para vender suas participações nas empresas ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Hoje, ele é o único sócio e dono do empreendimento.
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