O significado do meme não é muito claro, mas talvez aí que esteja a graça para crianças e adolescentes. Crédito: TV Estadão
Férias com crianças e adolescentes podem ajudar os adultos – frequentemente perdidos com a rapidez das informações atuais – a se familiarizarem com memes e expressões dos mais jovens. Certo? Nem sempre é assim. Se você tem filhos, sobrinhos ou netos, é difícil ter passado incólume nas festas de fim de ano ao tal “six seven”. Mas não pense que você é o único que, mesmo ouvindo isso sem parar, ainda não entendeu o significado.
Há algumas pistas de como o fenômeno surgiu, mas, como tudo no mundo dos brain rots, essas referências não explicam necessariamente o que a expressão quer dizer. O que se diz é que um dos primeiros a mencioná-lo foi o rapper Skrilla, na letra da música Doot Doot (6 7), em que ele fazia referência a uma rua 67.
Depois, houve também um impulso em vídeos nas redes sociais, dado pelo jogador de basquete LaMelo Ball, que mede o equivalente a 6 pés e 7 polegadas de altura (2,04m) e saiu repetindo a expressão em entrevistas. Foi o suficiente para viralizar outro vídeo de um adolescente americano na arquibancada, gritando six seven e fazendo um gesto com as mãos, como se estivesse equilibrando dois pesos, com as palmas para cima. O menino, de 12 anos, virou sensação mundial, o “six seven kid”.

Reprodução de vídeo sobre ‘six seven’ nas redes sociais Foto: Reprodução via TikTok
Brain rots como esses, cuja tradução seria “apodrecimento cerebral”, são conteúdos sem sentido que aparecem em vídeos curtos nas redes sociais. Nem todos viralizam, mas algumas expressões viram moda e se espalham rapidamente no mundo off line, onde crianças e adolescentes repetem à exaustão.
Nos últimos anos, casas e escolas foram invadidas por termos como “tralalero tralala”, “skibidi”, “farmar aura”. E há sempre um mesmo número de adultos, com cara de interrogação, perguntando do que se trata. A resposta padrão inclui invariáveis risadas, nenhuma explicação ou “vocês não vão entender”.
Se ainda não o fez, experimente perguntar a alguém da geração Alpha ou Z o que é 6-7. Vai ser embaraçoso. Mas talvez seja esse mesmo o lugar que crianças e adolescentes que nasceram ou cresceram sob os holofotes das redes sociais queiram estar. Com vidas expostas a cliques e visualizações desde a primeira papinha, um pouco de mistério não faz mal.
Melhor ainda se o enigma deixar pais e responsáveis de fora. Em um mundo em que tudo é rastreável, explicável e monetizável, repetir algo sem sentido pode ser um gesto de resistência. Um idioma efêmero, que nasce e morre rápido demais para ser capturado. Para quem cresceu sob vigilância constante, dizer algo que os adultos não decifram pode ser uma forma rara, e preciosa, de liberdade.
E, para mães e pais, aceitar esse desconhecimento exige um pequeno luto: o de não estar sempre por dentro, de não ser convidado para todas as conversas. Isso também é parte de um crescimento saudável. Crianças e adolescentes precisam de muita proteção nas redes sociais, mas também de espaços que não sejam mediados, avaliados ou traduzidos por adultos. Precisam, às vezes, de um six seven só deles, mesmo que a gente nunca venha a saber exatamente o que isso quer dizer.
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