No Dia das Crianças, oftalmopediatra alerta para os impactos do tempo excessivo de tela e destaca a importância da luz natural para a saúde dos olhos
Qual foi a última vez que seu filho fez um exame oftalmológico? O aumento dos casos de miopia infantil tem preocupado especialistas no mundo todo — e o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, é uma boa oportunidade para repensar hábitos e incentivar brincadeiras que ajudam a proteger a visão. De acordo com a Dra. Danielle Machado, oftalmopediatra do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte, a miopia nas crianças está crescendo por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, e o estilo de vida moderno tem um papel central nesse cenário.
“Hoje, as crianças passam muito mais tempo em atividades de perto — lendo, escrevendo ou diante de telas — e muito menos tempo ao ar livre. Nossos olhos evoluíram para olhar para longe, mas o mundo atual exige que olhemos de perto por longos períodos, o que gera um estresse visual importante”, explica a médica.
Segundo ela, o uso excessivo de telas é um fator de risco claro. “Não é só a luz azul, e sim o tempo e a forma como usamos as telas. Ficar horas seguidas olhando para perto aumenta o esforço dos olhos e substitui o tempo que deveria ser gasto ao ar livre, onde há luz natural e estímulo para olhar para o horizonte. Essa combinação é o terreno perfeito para o desenvolvimento da miopia”, alerta.
A exposição à luz natural é uma das principais aliadas na prevenção. “Estudos mostram que a luz natural estimula a liberação de substâncias que ajudam a controlar o crescimento do olho, impedindo que ele se alongue demais — o que causa a miopia. Além disso, quando a criança está ao ar livre, ela naturalmente alterna o foco entre diferentes distâncias, o que ajuda os olhos a relaxarem. A recomendação é de pelo menos 120 minutos por dia de exposição à luz natural”, reforça.
Entre os sinais de alerta, os pais devem observar se a criança se aproxima demais da televisão, aperta os olhos para ver de longe, reclama de dor de cabeça, esfrega os olhos com frequência ou apresenta queda no rendimento escolar. “Esses comportamentos indicam que ela pode estar com dificuldade para enxergar de longe e deve ser avaliada o quanto antes por um oftalmopediatra”, orienta a especialista.
A faixa etária mais crítica é entre os 6 e 12 anos, período de maior demanda visual escolar. “Quanto mais cedo a miopia surge, mais tempo ela tem para progredir. E miopias altas aumentam o risco de complicações sérias na vida adulta, como descolamento de retina e glaucoma. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento semestral são fundamentais”, explica.
Além da prevenção, já existem tratamentos eficazes para controlar a progressão da miopia, como o uso de colírios de atropina diluída, lentes de contato especiais (como as de ortoceratologia) e óculos com tecnologia de desfoque periférico. “Essas abordagens ajudam a reduzir o ritmo de crescimento do olho e, consequentemente, o aumento do grau”, afirma a médica.
Sobre o tempo de tela, a Dra. Danielle orienta limites claros: “Menores de dois anos não devem usar telas. De dois a cinco anos, o ideal é no máximo uma hora por dia, sempre com acompanhamento. Crianças de seis a dez anos podem usar de uma a duas horas e, a partir daí, até três horas no máximo — sempre com pausas e intervalos ao ar livre”.
E quando o assunto é prevenção, brincar é o melhor remédio. A especialista recomenda atividades que estimulem o olhar para o horizonte e o contato com a luz natural. “Correr, jogar bola, andar de bicicleta, pular corda, fazer piqueniques, observar o céu, procurar nuvens ou aviões — tudo isso ajuda a relaxar a visão e reduz o risco de miopia. O importante é estar fora de casa, sob a luz natural, todos os dias.”
Para os pais, a mensagem é clara: “Miopia não é apenas um problema de grau — é uma questão de saúde ocular futura”, reforça a oftalmopediatra. “O tempo de tela é inimigo do tempo de fora. A receita é simples: 120 minutos de sol por dia, pausas regulares durante atividades de perto, distância adequada das telas e consultas oftalmológicas anuais. São pequenos hábitos que fazem uma diferença enorme na visão e no futuro das nossas crianças”, finaliza a Dra. Danielle Machado, oftalmopediatra do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.
Fonte: Gabriel Santos da Silva
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