A primeira-dama Janja da Silva planeja um roteiro de encontros com mulheres evangélicas pelo país para se aproximar de um dos segmentos mais resistentes ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira aproximação ocorreu na última sexta-feira na Igreja Batista de São Cristóvão, no Rio, onde Janja foi recebida por um grupo de 100 mulheres evangélicas. Ela estava acompanhada da ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco.
O encontro ocorreu a pedido de Janja e foi realizado com mulheres evangélicas da Região Metropolitana do Rio e do interior. A proposta de uma aproximação vinha sendo discutida internamente desde 2023, em conversas entre a primeira-dama e representantes progressistas do segmento.
Até o momento, a agenda do Rio vem sendo chamada de um encontro “piloto”. A ideia é que esse tipo de reunião, como a primeira, seja um espaço para as mulheres falarem, com poucas intervenções de cerimonial e com diversidade de participantes.
Janja respondeu a uma série de perguntas sobre políticas públicas do governo e tratou dos seus planos de percorrer o país. As novas datas devem contemplar fiéis de templos ligados à Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, organização ligada à esquerda.
De acordo com aliados, a primeira-dama, que é católica, tomou a iniciativa de conhecer o trabalho de mulheres evangélicas em comunidades e periferias, especialmente aquelas que trabalham no combate à fome, uma das áreas de atuação da primeira-dama no governo.
A primeira-dama decidiu buscar uma aproximação com mulheres religiosas mesmo diante de desgastes vinculados à sua imagem. Pesquisa Datafolha de junho mostra que, para 36% dos brasileiros, as ações da primeira-dama mais atrapalham que ajudam o governo, enquanto 14% têm a percepção oposta: de que as atitudes de Janja mais ajudam a gestão do petista.
Ainda que seja alvo preferencial da oposição, internamente Janja tem autonomia para propor suas agendas. Além disso, é convidada e recebe chamado de ministros para estar em compromissos representando o governo. Agora, o movimento de Janja ocorre em um momento em que o entorno de Lula tem reforçado a necessidade de o governo fazer mais gestos ao público evangélico.
Lula ainda resiste em fazer agendas específicas com pastores, e o gesto de Janja, na visão de aliados, mostra uma flexibilização maior do casal presidencial em tratar do tema.
A quinze meses da eleição presidencial, Lula não conseguiu se aproximar desse público. Segundo Datafolha de 14 de junho, o presidente tem rejeição de 61% no segmento. O mesmo levantamento mostra que 25% rejeitam o ex-presidente Jair Bolsonaro. O capitão reformado tem apoio de líderes evangélicos como Silas Malafaia, Edir Macedo e R.R. Soares, líderes de expressão no segmento, que são críticos a Lula.
Além de Janja, como mostrou O GLOBO, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tem promovido encontros com lideranças religiosas e elabora um cronograma de reuniões com ministros do governo e pastores para os próximos meses. Evangélico, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, é considerado pessoa chave nesse processo e tem sido escalado para estar presente em cerimônias mais importantes e receber pessoas ligada às igrejas.
Coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria Zacharias, organizou o evento no Rio e recrutou evangélicas para participarem da reunião com a primeira-dama.
— É um extrato de mulheres que são a cara do público evangélico, para a gente não interessa só chamar mulheres progressistas. Foi um diálogo necessário, desarmado e respeitoso. A primeira-dama sai ganhando conhecendo esse Brasil que se reconfigura a partir do trânsito fé — disse Zacharias.
O escopo do cronograma das agendas ainda vem sendo construído, mas Janja deverá fazer esse roteiro acompanhada de ministros de Lula. Pelo menos três estados estão previstos, como Pernambuco, Minas Gerais e outro estado do Norte, onde conversas com mulheres evangélicas serão encaixadas dentro uma programação de outras agendas.
— Ela (Janja) se emocionou, chorou muito (no encontro do Rio). Eu chorei. No dia anterior, estivemos com mulheres de axé. Ficamos de voltar para outras reuniões. Foi importante, e estamos montando outras agendas, com outros três estados previstos — afirma a ministra Anielle Franco.
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