A Embaixada dos Estados Unidos endossou em nota divulgada nesta quarta-feira a declaração em que o presidente do país, Donald Trump, criticou a atuação do Judiciário brasileiro em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após este defender Jair Bolsonaro e atacar as instituições judiciais brasileiras. Além de emitir um comunicado oficial, ele também comentou sobre o caso no encerramento do Brics, no Rio de Janeiro.
Em nota oficial, Lula afirmou: “A defesa da democracia no Brasil é uma responsabilidade dos brasileiros. Somos um país soberano e não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Temos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei — sobretudo aqueles que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito.”
No Rio de Janeiro, Lula disse para Trump dar “palpite na sua vida”:
— Não vou comentar essa coisa do Trump e do Bolsonaro. Tenho coisas mais importantes para comentar do que isso. Esse país tem leis, regras e um dono chamado povo brasileiro, portanto dê palpite na sua vida, e não na nossa — declarou.
Veja o vídeo da fala do presidente Lula:

Lula rebate Trump: ‘Dê palpite na sua vida e não na nossa’
Em uma publicação feita em sua rede Truth Social, nesta segunda-feira, Trump afirmou estar acompanhando o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Segundo ele, o julgamento do ex-presidente brasileiro deveria ocorrer “nas urnas” e não na Justiça. Bolsonaro foi declarado inelegível em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e responde a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
“Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo POVO. Conheci Jair Bolsonaro e ele era um líder forte, que realmente amava seu país — além de um negociador muito duro em questões comerciais. Sua eleição foi muito apertada e agora ele lidera nas pesquisas. Isso é apenas um ataque político, algo que eu conheço bem. Aconteceu comigo dez vezes”, escreveu Trump.
Mais cedo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, já havia se manifestado, classificando as declarações de Trump como “equivocadas”. Ela ressaltou que o ex-presidente americano deveria “cuidar dos problemas de seu próprio país” em vez de interferir na soberania brasileira. Além de Gleisi, outros governistas também saíram em defesa de Lula, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
Messias afirmou que a soberania brasileira não está em negociação. “Este governo não aceita tutela, nem admite pressões externas que tentem ditar os rumos do país, e muito menos tolerará pressões indevidas contra nossas instituições democráticas, notadamente da nossa Suprema Corte, que tão bem ter servido à defesa da democracia e do estado de direito em nosso país”.
O deputado federal José Guimarães, líder do governo na Câmara, repetiu a mensagem postada por Lula, acrescentando que “somos um país soberano com nossas leis e nossas instituições, que exige respeito”. Já o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também reagiu à postagem de Trump, sugerindo que a resposta do republicano veio em retaliação a resoluções firmadas pelo BRICS. “Fosse o BRICS tão irrelevante” assim, estaria Trump borrando as calças e acusando recebimento do encontro do grupo com 10% de tarifas adicionais?”, disse. O senador Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Senado, por sua vez, se limitou a republicar o comentário feito pelo presidente petista no X.
Jair Bolsonaro também publicou agradecimento nas redes sociais ao americano, e declarou que o chefe de Estado americano era exemplo de “fé e resiliência”.
Ontem, Trump já havia afirmado em outra publicação que os países alinhados ao Brics sofreriam uma taxação adicional de 10%. “Qualquer país que se alinharem às políticas antiamericanas do Brics serão taxados. Não haverá exceções a essa política”, disse.
A declaração ocorreu após o bloco econômico, que é presidido por Lula, ter divulgado a “Declaração do Rio de Janeiro”, resultado da cúpula que ocorre na cidade fluminense. O texto, contudo, não cita os Estados Unidos.
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