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Protagonistas na democracia em MS provam que lugar de mulher é na política

Samuel Azevedo por Samuel Azevedo
29/03/2025
no Cidades
Tempo de leitura:8 minutos de leitura
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Com o tema “Mulher, democracia e participação política”, o segundo painel da Secretaria de Estado da Cidadania dentro do Delas Day levou representatividade ao palco.

Mediado pela secretária da Cidadania, Viviane Luiza, o diálogo reuniu mulheres que são liderança em MS e carregam no currículo histórias que inspiram tanto no empreendedorismo quanto na trajetória pessoal.

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As convidadas foram Adriane Lopes, prefeita de Campo Grande; Inaye Lopes Kaiowá, vereadora em Antônio João; Mara Caseiro, deputada estadual, Margarete Coelho, diretora nacional do Sebrae e Tereza Cristina, senadora por Mato Grosso do Sul.

Painel trouxe para o palco Mara Caseiro, Tereza Cristina, Margarete Coelho, Adriane Lopes e Inaye Kaiowá. (Foto: Bruno Rezende)

Na abertura, Viviane Luiza que é titular da primeira secretaria do País com dedicação exclusiva à pauta da Cidadania, trouxe dados da ONU, que dos 36 mil assentos parlamentares no mundo, apenas 26% são ocupados por mulheres.

“Ainda segundo a ONU, nós temos 145 anos de distância para a equidade e a paridade de gênero na política. Aqui estão as nossas convidadas que rompem as estatísticas, que nos mostram que a coragem é o que nos une. Não estamos falando de legenda partidária, e sim de uma única bandeira chamada ser mulher”, apresentou Viviane.

Secretária da Cidadania, Viviane Luiza ressalta que independentemente de legendas partidárias, a bandeira tem de ser uma só. (Foto: Bruno Rezende)

Ao falar sobre como a democracia brasileira ainda convive com avanços e retrocessos quando o assunto é representatividade, a diretora nacional do Sebrae, que foi a primeira mulher vice-governadora do Piauí e deputada federal, relembra que a política ainda é uma herança patriarcal.

“Os partidos políticos foram feitos por homens e para os homens. Então, nós mulheres temos que adentrar nesse mundo dos partidos. Nós temos menos mulheres eleitas, porque nas famílias a herança da política não é das mulheres, é dos homens”, explica.

Margarete que também é pesquisadora com doutorado na área de violência contra a mulher também trouxe, de forma muito didática, outro ponto: a nossa régua para eleger mulheres é alta demais.

“O check-list de uma mulher para votar em outra é enorme. A frase mais comum é: ‘ela não me representa’, porque ela é dona de casa ou porque não é. Porque é gorda, porque se arruma ou porque não se arruma. Eu não pergunto para o homem quem está cuidando dos filhos enquanto ele está na política. Não posso exigir de uma mulher a mais do que eu exijo de um homem”, compara.

De forma didática, cada uma das convidadas compartilhou sua trajetória respondendo às perguntas sobre empreendedorismo, liderança e os desafios de ser mulher. (Foto: Bruno Rezende)

Primeira prefeita mulher a ser eleita em Campo Grande, Adriane Lopes contou como começou vendendo sorvete de porta em porta até chegar ao cargo executivo. Isso sem antes ouvir comentários machistas.

“Foram dois anos e oito meses como empossada, e me diziam: ‘ela não é legítima, ela não concorreu, ela só assumiu um cargo e quem manda é o marido dela'”, recorda.

Ao ser convidada para deixar um recado às mulheres na plateia, Adriane resumiu que sua mensagem é o que vem colocando em prática na gestão. “A paridade na política, nos espaços de poder, é discutida mas muitas vezes não é praticada. Eu, como a primeira mulher eleita prefeita, estou abrindo a porta para outras mulheres. Os desafios são gigantes, mas quando vocês não encontrarem um caminho, façam um caminho novo”, parafraseou.

De Antônio João, a liderança indígena Inaye Kaiowá contou como chegou à política. (Foto: Bruno Rezende)

Liderança indígena kaiowá, vereadora no segundo mandato em Antônio João e mestre em História pela UFGD, Inaye Lopes Kaiowá compartilhou como tem equilibrado a ancestralidade com as exigências da política institucional.

A trajetória de Inaye começa ao ver que era preciso ocupar espaços de poder para que a comunidade indígena fosse ouvida. “Não foi fácil, primeiro você tem que buscar voto para você, disputar com tantas pessoas naquele partido, mas temos que ter estratégia de trabalho também”, comenta.

Quanto à questão de que mulher não vota em mulher, a vereadora complementa dizendo que este pensamento também pode ser vivenciado dentre os indígenas.

“Mulheres indígenas também não são diferentes das não indígenas, muitas não votam em mulheres indígenas, não votam em candidato indígena, mas a gente tem que mudar esse cenário, temos que se abraçar, andar de mãos dadas, para que a gente possa vencer esse desafio”, afirma.

Hoje, Inaye é mais do que uma vereadora na câmara da sua cidade. “Represento a comunidade indígena e enquanto mulher indígena. O pessoal me manda mensagem: ‘vereadora, tem como você entrar em contato com o pessoal do Estado, tem como fazer uma agenda, uma reunião? Eu não reclamo, porque tenho os contatos, e a gente tem que estar ali para representar a população indígena, então eu sou bastante feliz”, descreve.

Senadora da República, Tereza Cristina trouxe reflexões e ressaltou que as mulheres devem se impor na política. (Foto: Bruno Rezende)

Deputada estadual no quarto mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Mara Caseiro reforça que apesar de ter um crescimento significativo de mulheres em cargos políticos nas eleições de 2024, ainda são passos lentos.

“Hoje nós temos 13 prefeitas eleitas, 20 vice-prefeitas eleitas, e 181 vereadoras. Mas ainda estamos com apenas 20% de participação. É muito pouco, precisamos alavancar isso”, ressalta.

A deputada relembrou as legislações vigentes, como o Estatuto da Mulher Parlamentar, que traz as definições de assédio e violência política, especificando atos que são considerados violência política contra as mulheres candidatas, eleitas e empossadas para o cargo eletivo. 

“A gente é tão acostumado com isso, que acha que não é uma violência política. Então, por isso, nós colocamos dentro desse Estatuto da Mulher Parlamentar quais são os atos que configuram violência política, como: impor por estereótipo de gênero a realização de atividades e tarefas não relacionadas com as funções e competências, quando também impedem, durante sessões ordinárias e extraordinárias, ou qualquer outra atividade que envolva a tomada de decisões, o direito de falar e votar em igualdade de condições, quando restringem o uso da palavra em sessões, reuniões de comissões, solenidades, e isso é muito comum acontecer”, lembra Mara.

A parlamentar frisa que o caminho é encorajar umas às outras, inclusive a denunciar passa não permitir que situações assim continuem acontecendo.

Pluralidade do painel trouxe para a plateia os mais diferentes segmentos e público. (Foto: Bruno Rezende)

“Para avançar nessas questões, entendo que temos que reforçar as políticas de financiamento para campanhas femininas, porque ainda que a gente tenha muita desigualdade nas estruturas de campanha, precisamos também criar mais mecanismos para punir a violência política de gênero”, propõe.

O encerramento ficou por conta da senadora Tereza Cristina, que lembrou a trajetória como presidente da Famasul, secretária de Estado em MS, deputada federal por dois mandatos e também quando assumiu como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“Nós só chegamos, aonde nós chegamos, porque a gente não teve medo, a gente sabia onde queria chegar, o que é que a gente queria fazer. O mundo na política é mesmo um mundo machista. Queria dizer para vocês que não tenham medo, tenham coragem de representar aquilo que vocês acham que precisam representar na sociedade”, sustenta.

Tereza Cristina reforçou o quanto o Delas Day reuniu diferentes segmentos e que é fundamental falar com todos os diferentes públicos e despertar nas mulheres a importância da participação política. 

“Sofremos preconceito na política, mas não podemos ficar chorando, temos que nos impor e sem mimimi, porque isso tem mudado a realidade da política brasileira. Todas aquelas que querem, que gostam da política, devem começar a se colocar. A gente tem que sair da nossa zona de conforto pra poder chegar lá. Perder a eleição não é feio, mas não participar é muito ruim. Então, na política, as mulheres precisam participar mais. Não tenham medo, digo pra vocês, vale a pena”, finaliza.

Paula Maciulevicius, da Comunicação da Cidadania
Fotos: Bruno Rezende/Secom

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