Após quase quatro anos, o pastor coxinense Jeosafá Brito da Silva cumprirá dois meses de serviço social por injúria e xenofobia contra a comunidade nordestina, comentário publicado em seu perfil do Facebook, em outubro de 2022.
A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), motivada pela revolta da comunidade nordestina da região, que acusou o pastor de ter publicado uma postagem com teor discriminatório contra os nordestinos na esteira do primeiro turno das eleições daquele ano, disputada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
No post, o pastor compatilha a postagem do perfil “Leno Motoboy” que escreveu uma frase
com os seguintes dizeres: “O Nordeste merece voltar a carregar água em balde mesmo” e ao final, postou dois “emojis” comumente utilizado nas redes sociais como forma de riso, deboche”, traz o Ministério Público.
Postagem do pastor à época dos fatos / Reprodução Processo A postura do pastor causou revolta na ampla comunidade nordestina de Coxim, que se revoltou contra o ocorrido. Após a repercussão do caso, o então líder da Igreja Assembleia de Deus Nova Aliança (ADNA) apagou o post e disse que não havia dolo de sua parte. Abaixo, a íntegra da postagem do pastor.
“Queridos a Paz do Senhor Jesus Cristo, aconteceu um fato indesejado na última segunda-feira (3), sobre uma publicação no Facebook, um compartilhamento. Publicação essa que não foi de minha autoria e verdadeiramente não é o meu pensamento.”
Quero esclarecer que não ouve dolo da minha parte, e em hipótese alguma a intenção de ferir, magoar, ser preconceituoso ou racista.
Hoje venho humildemente pedir o perdão a toda comunidade nordestina, a sociedade, e a Igreja do Senhor Jesus Cristo.
A mesma misericórdia que você tem consigo sobre alguma fala, ou ação, seja contra eleitores, povos, políticos, religiosos, essa mesma misericórdia, que você possa usá-la nesse momento”.
Reprodução Facebook / Arquivo Processual Entre 1970 e 2010, a população nordestina representou parcela significativa da população municipal. Ao fim da primeira década do século, o número de nordestinos em Coxim era de 9,04% ou 2,9 mil das 32.159 pessoas por lá. percentual que chegou a ser de 18% em 1970, conforme aponta a pesquisadora Eliane Dias de Oliveira em sua dissertação: À procura de um norte: Migração e memória de nordestinos em Coxim (1958-1996). Localmente, moradores estimagem que oito em cada 10 pessoas sejam nordestinas.
Conforme a Justiça, o pastor pagou cerca de R$ 2 mil entre custas processuais e multa terá de cumprir oito horas de serviço social por semana junto à Secretaria Municipal de Obras.
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