A Câmara de Comércio Exterior (Camex) renovou nesta terça-feira, 23, por mais seis meses, a cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor total de US$ 463 milhões.
No início do ano, o governo deixou expirar, em 31 de janeiro, as cotas que permitiam a importação com alíquota zero de veículos híbridos e elétricos desmontados e semidesmontados destinados à finalização da produção no Brasil, mecanismo que vinha sendo usado, sobretudo pela BYD em Camaçari (BA).
A medida é duramente criticada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na segunda-feira, 22, o presidente da entidade, Igor Calvet, disse que recebeu a informação, então ainda não confirmada pelo governo, de que o Comitê de Alterações Tarifárias (CAT) recomendou a volta das cotas durante a reunião extraordinária que antecede o encontro da Camex.
Apontando risco aos investimentos de R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras, a direção da Anfavea dizia que considerava ir à Justiça em caso de retorno das cotas, que valeram por seis meses até janeiro. O benefício permitiu que a BYD trouxesse, com alíquota zero do imposto de importação, carros parcialmente montados da China. A produção é finalizada na fábrica da marca chinesa em Camaçari, na Bahia.
Já a BYD sustenta que a cota foi parte de um entendimento com o governo para viabilizar os investimentos na Bahia e que a isenção seria um instrumento de transição até uma produção mais completa, com maior conteúdo nacional.
O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, também buscou reduzir a escalada do embate ao dizer, também no dia 22, que “brigar com o governo nunca é bom” e ao afirmar que o mecanismo não teria atendido apenas a BYD, mas outras empresas que investem no Brasil.
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