Uma Ferrari é sempre uma Ferrari, certo? Bom, aparentemente, não. Após o anúncio do primeiro modelo elétrico da marca, entusiastas criticaram o visual nas redes sociais, o que causou uma queda de 7,8% nas ações da empresa.
Na terça-feira (26), os papéis esboçaram leve reação, mas ainda assim operavam com 6,4% de queda em relação ao habitual — a maior retração desde outubro de 2025. Atualmente, a companhia é avaliada em cerca de US$ 57 bilhões.
Nas últimas 24 horas, o termo “Ferrari Luce” teve um aumento de mais de 3.150% nas pesquisas no Google, o que mostra o quanto o lançamento abalou o setor. Porém, a mesma marca que já foi ovacionada pelos lendários F40 e 599 GTO hoje vive uma realidade bem diferente: o famoso “cancelamento” da internet.
“Não posso comprar, mas, em todo caso, achei feia”, escreveu um usuário do X (antigo Twitter). Outro, por sua vez, afirmou que “a Luce é uma réplica muito malfeita de um carro da marca italiana”.
E não foi apenas no Brasil que a aparência da Luce entrou em xeque. Nas redes sociais gringas, encontram-se comentários como: “Parece um iPhone” — aliás, não apenas parece, como teve o interior desenvolvido por um designer que já atuou na Apple, conforme adiantamos aqui. Outros usuários foram mais drásticos: “É a Ferrari mais feia já feita” e “Estou envergonhado pelas pessoas que participaram disso”.
Apesar do cenário turbulento, a cúpula da marca mantém a postura. “A Luce não é uma resposta à mudança”, afirmou o presidente John Elkann, presidente executivo da Ferrari, durante apresentação a jornalistas no domingo. “É uma decisão deliberada de liderar o que vem a seguir.”
O que a Ferrari Luce oferece?
Pela singela bagatela de R$ 3,5 milhões em conversão direta, a Ferrari Luce ostenta seu “charme” com dois propulsores no eixo dianteiro (286 cv) e dois no traseiro (843 cv). No modo boost, a potência salta para 1.050 cv.
“Um relâmpago silencioso que reescreve as leis da física”, diz a marca ao divulgar a aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos.
O grande diferencial da Ferrari Luce está na carroceria. O projeto utiliza materiais translúcidos e estruturas vazadas que permitem ver “a alma da máquina”.
Por dentro, o painel apela para a nostalgia e resgata a estética dos clássicos dos anos 70, apesar de contar com grandes telas. A principal diferença está em quem assina o projeto: o visual foi idealizado por Jony Ive, designer famoso por seu trabalho na Apple e por trazer um tom minimalista às suas criações.
No fim das contas, cabe ao tempo dizer se a Ferrari foi ousada e ditou tendência ou se uma das maiores marcas do mundo mirou no espetáculo e acertou no ridículo.
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