Mentora do assassinato dos próprios pais, a paulistana Suzane von Richthofen foi presa logo depois do crime, em novembro de 2002, mas esperou anos para ser julgada. No dia 28 de junho de 2005, a Justiça autorizou que ela aguardasse em liberdade, alegando que não havia motivos para a ré ficar sob custódia antes do final do processo. A situação, porém, mudou quando Suzane deu uma controversa entrevista para o “Fantástico”, da TV Globo, exibida no dia 9 de abril de 2006, há 20 anos.
A equipe do programa dominical ficou meses em contato com a defesa da paulistana, até que foram combinados dois encontros com a assassina do casal Manfred e Marisia von Richthofen, mortos m 31 de outubro de 2002 pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, a mando de Suzane. Na entrevista, ela aparece de camiseta com estampa da Minnie e pantufas de coelhinhos nos pés, com a franja cobrindo os olhos e olhando pra baixo enquanto falava, sempre culpando o ex-namorado Daniel pelo crime.
Suzane alegava que tinha sido manipulada pelo então namorado, a quem chamava de “monstro”. Essa era uma estratégia da defesa que seria colocada em prática durante o julgamento, marcado para junho daquele ano. Num trecho da entrevista, segurando a mão do advogado e tutor Denivaldo Barni o tempo todo, a assassina conta que Daniel a obrigava a usar drogas. “Ele falava: ‘Se você me ama, usa'”, disse a paulistana diante da câmera, antes de abaixar o rosto, como se estivesse chorando.
O “Fantástico”, porém, desmascarou a farsa. A reportagem exibiu o momento em que, sem saber que o microfone colocado na gola da camisa de Suzane já estava gravando, Denivaldo Barni orienta a paulistana a chorar durante a entrevista. “Fala que não vejo. Chora…”, diz ele, quase sussurrando, ao que ela responde, olhando pra baixo: “Não vou conseguir”. Logo em seguida, Suzane sai correndo e rindo, animada para abraçar uma pessoa próxima que tinha acabado de encontrar.
No dia seguinte, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, Richard Chequini, determinou a volta de Suzane à prisão, após um pedido do promotor Roberto Tardelli, responsável pela acusação no processo. “Era uma atriz de quinta categoria tentando desempenhar um papel de quinta categoria, com diretores de quinta categoria. Nada mais restou senão a intenção de fazer todos passarmos por verdadeiros idiotas”, disse Tardelli ao Jornal O GLOBO, na época.
Os Cravinhos, que assim como Suzane esperavam o julgamento em liberdade, também voltaram para a cadeia depois de dar uma entrevista a uma rádio de São Paulo revelando novos detalhes do crime. O Ministério Público entendeu que eles estavam fazendo uma apologia ao assassinato.
Em junho daquele, a Justiça condenou Suzane e Daniel a 39 anos de prisão. Já Christian Cravinhos foi sentenciado a 38 anos de prisão. Em 2015, a paulistana passou ao regime semi-aberto e, em 2023, ganhou o direito da liberdade condicional. Hoje aos 42 anos, ela vive no interior de São Paulo com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e o filho do casal, um bebê de dois anos. Suzane também convive com três enteadas, filhas do primeiro casamento de seu marido.
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