Multidões foram às ruas de cidades de norte a sul dos Estados Unidos neste sábado, 28, para protestar contra o presidente Donald Trump. As marchas, coordenadas sob a bandeira No Kings (Sem rei), apontam uma escalada autoritária do republicano e criticam o governo pela guerra do Irã (e o consequente impacto no preço da gasolina), pelas ofensivas contra imigrantes e pelos ataques às políticas pró-diversidade.
Segundo o jornal americano Washington Post, houve cerca de 3,3 mil atos, espalhados por 50 estados. Em outubro, haviam sido cerca de 2,6 mil. A agência de notícias AFP cita milhões de pessoas nas ruas, mas não informou a fonte da contagem.
Após os atos, os organizadores estimaram em 8 milhões de pessoas participando dos atos.As autoridades americanas não divulgaram um número oficial de participantes nos eventos de sábado.
Segundo os organizadores, houve cerca de um milhão de participantes a mais e 600 eventos a mais em comparação com as últimas manifestações do movimento No Kings, em outubro.
Em Nova York, a Times Square foi tomada por um mar de gente, incluindo o ator Robert de Niro, que chamou Trump de “ameaça existencial”. Washington também teve passeatas lotadas e atos próximos ao Lincoln Memorial.
Os organizadores escolheram o comício no Capitólio de Minnesota, em St. Paul, como o evento principal em nível nacional. Lá, o cantor Bruce Springsteen foi uma das principais atrações. Ele cantou a música Streets of Minneapolis, em homenagem às vítimas do ICE.
Nas Cidades Gêmeas (Twin Cities) de Minnesota, milhares de manifestantes foram para o Capitólio estadual, invocando a memória de Renee Good e Alex Pretti, mortos neste ano por agentes do ICE, o serviço de imigração.
Em pequenos locais como Little Rock, Arkansas, onde mais de 2 mil marcharam sobre o rio, uma mulher carregava seu próprio cartaz MAGA: “Morons Are Governing America” (Idiotas Estão Governando a América).
“Os preços estão subindo e parece que nem conseguimos mais arcar com o custo de vida”, disse John Moes, morador de Minneapolis que estava vestido com uma fantasia de marionete de 4,5 metros de altura lembrando Prince, músico e ícone local.
“É uma das formas de dizermos que estamos fartos”, disse Moes, que se descreveu como um independente que se inclina para o Partido Democrata.
As marchas se estenderam por todo o país, desde acima do Círculo Polar Ártico (Kotzebue, Alasca: população de 3 mil habitantes) até os trópicos, em Porto Rico. Houve também 39 comícios internacionais do “No Kings”, de acordo com os organizadores. Cidades como Londres, Paris, Roma e Berlim receberam marchas.
As marchas ocorrem enquanto legisladores no Capitólio permanecem em um impasse sobre o financiamento para a fiscalização de imigração pelo Departamento de Segurança Interna. O problema orçamentário afetou também postos de segurança de alguns aeroportos, depois que muitos agentes de não remunerados faltaram ao trabalho. Na quinta-feira, 26, Trump anunciou que os pagaria por meio de outra fonte de financiamento.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada nesta semana revelou que a taxa de aprovação de Trump caiu para 36%, a mais baixa desde que ele retornou à Casa Branca em janeiro de 2025. Apenas 35% dos entrevistados aprovaram os ataques dos Estados Unidos ao Irã, segundo a pesquisa.
Valerie Tirado, mãe de um fuzileiro naval que está a caminho do Oriente Médio, marchou no distrito do Brooklyn, em Nova York, om um cartaz que dizia “Tragam meu filho para casa”. “Trump está usando esses militares como peões, apenas para se exibir”, disse.
Com as eleições de meio de mandato daqui a sete meses, os protestos estão sendo analisados como um termômetro de possíveis mudanças políticas. Embora os manifestantes fossem em grande parte democratas, dezenas de outros eventos “No Kings” foram realizados em estados dominados por republicanos ou em estados-pêndulo.
Estados de eleitorado mais conservador como Idaho, Wyoming, Montana, Utah, Dakota do Sul e Louisiana tiveram manifestações. Protestos ocorreram até em redutos profundamente republicanos, como Shelbyville, Kentucky, e Midland, Texas.
A Casa Branca reagiu aos comícios “No Kings” com deboche. Na quinta, uma porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, disse em comunicado: “As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia de ‘transtorno de Trump’ são os repórteres pagos para cobri-las”.
Em Oxford, Mississippi, Cass Rutledge, estudante do 1º ano de Direito, caminhou pelo protesto “No Kings” e pela praça da cidade e questionou por que as pessoas achavam que Trump estava agindo como um rei.
“Ele é, sabe, um presidente devidamente eleito que venceu no voto popular e no Colégio Eleitoral de lavada”, disse Rutledge. “E por isso estou um pouco confuso sobre como ele está agindo de forma diferente de qualquer outro presidente.”
Ele apontou para o impasse no Congresso sobre o SAVE America Act, o projeto de lei republicano para endurecer as regras de identificação e registro de eleitores. Os democratas chamam esse plano de uma tentativa de suprimir a participação com base em falsas alegações de fraude eleitoral. Rutledge disse que Trump estava “seguindo o processo” para tentar aprovar a legislação.
Os eventos de sábado foram organizados por grupos nacionais e locais, incluindo coalizões progressistas bem conhecidas como Indivisible, 50501 e MoveOn, bem como centenas de organizações menores, como American Atheists, o Transgender Law Center e a Michigan Climate Action Network.
Em outubro, mais de 7 milhões de pessoas compareceram às demonstrações “No Kings” em todos os 50 estados, segundo os organizadores. Essa é a terceira vez em menos de um ano que os americanos saem às ruas para protestar contra Donald Trump. / COM NEW YORK TIMES, AFP E AP
Discover more from FATONEWS :
Subscribe to get the latest posts sent to your email.






















